Comportamentos e Reacções do Processo de Luto “Normal”

Num processo de luto considerado «normal», sentem-se emoções e têm-se comportamentos que podem afastar-se consideravelmente dos hábitos e das atitudes que eram correntes antes da perda.

Diferem, no entanto, de desvios mentais profundos, de natureza patológica (por exemplo, a paranoia, o estado maníaco e até mesmo a depressão). O que é vivido num luto normal é um conjunto particular de condições emocionais, visando uma saída saudável para a perda.

Os aspetos mais marcantes de um processo de luto normal, em termos de condições, são:

  • Um desânimo profundo, isto é: falta de vontade geral para a vida, pelo que todo o quotidiano é vivido com esforço e de forma penosa;
  • Um grande desinteresse pelo mundo exterior, uma vez que este não pode voltar a ser o mesmo, nem pode devolver o ente amado;
  • Uma perda de «capacidade para amar de novo», por não se conseguir aceitar que alguém venha a ocupar o lugar deixado vazio pelo ente amado – uma vez que se considera que este é insubstituível;
  • Uma dificuldade em desenvolver toda e qualquer atividade que não esteja simbolicamente associada à memória do ente amado.

 apav 000006389237SmallOs sintomas apresentados por uma pessoa em luto manifestam-se ao nível:

- psicológico, a pessoa em luto vai sentindo, no geral, um grande adormecimento, alternado com expressões de raiva, sentimento de culpa, autorecriminação, ansiedade, solidão, fadiga mental, desamparo, choque, estarrecimento, tristeza profunda, angústia, descrença, confusão, a inquietante sensação da «presença do ente amado» (como se não tivesse morrido, podendo mesmo chegar a ter alucinações visuais e/ou auditivas) e uma sensação de despersonalização (sentir-se «desfeito em pedaços»). A pessoa tem também sonhos frequentes com o ente amado, bem como sente necessidade de recordar episódios felizes vividos por ambos, tentando visitar os lugares que foram cenário dessas memórias e guardando objetos alusivos a esses episódios. Pode ter também crises de choro compulsivo, nas mais variadas ocasiões, mesmo quando não está inserida num contexto relacionado com o ente amado.

- físico, é frequente sentir um «vazio no estômago», um «aperto no peito», um «nó na garganta», uma hipersensibilidade ao ruído, falta de ar, suspiros profundos, fraqueza muscular, falta de energia e a boca seca. Um cansaço progressivo vai liquidando as poucas energias que a pessoa já tem, sobretudo porque se verificam geralmente grandes alterações do sono e do apetite.

- social, o processo de luto conduz inevitavelmente a alterações de comportamento. E, logo, a alterações nas relações da pessoa em luto com os outros, em ambiente social. Assim, para além da pessoa ter um comportamento «flutuante» (isto é, parece que «flutua sobre os acontecimentos do quotidiano», sem se empenhar, ou envolver, neles), «dormitando» e esquecendo pequenas e grandes tarefas do dia-a-dia (o que causa transtornos no emprego, por exemplo), começa a praticar um progressivo isolamento social, distanciando-se de familiares e/ou amigos, de grupos de convívio e, de uma forma genérica, de ocasiões onde haja aglomerados de pessoas.