Em caso de suspeita ou constatação de crime

Na Fase da Crise, em caso de suspeita ou constatação de crime, tem início o processo de investigação criminal. Em alguns casos, a investigação inicia-se mesmo antes (por exemplo, quando a vítima desapareceu, por ter sido raptada, ou porque o seu cadáver foi ocultado por algum tempo). É comum que a investigação se desenvolva em simultâneo com o próprio processo de luto, podendo arrastar-se para além dele e mesmo comprometer o seu saudável desenvolvimento.

A Fase da Crise é todo um período de imediatismo e de choque com a dura realidade da perda. A pessoa que perde subitamente um ente amado – e por este ter sido vítima de crime – sofre uma espécie de dormência emocional, ou «anestesia», que também se confunde, em muitos casos, com o efeito de sonolência induzido pela toma de comprimidos calmantes e antidepressivos.

É frequente a pessoa em luto sentir uma prostração intensa, «como se tivesse sido violentamente agredida», ou «como se tivesse sido despenhada do alto de um monte». Sente dores no corpo e uma sensação de grande mal-estar físico. Sofre também uma grande irritabilidade, com crises de choro compulsivo e em voz alta. Em algumas culturas, estas crises são inclusivamente encorajadas pelos que a rodeiam, quer porque lhes parece ser terapêutico (e pode sê-lo, com efeito), quer dando corpo a uma manifestação cultural: cânticos, litanias e lamentos fúnebres, fórmulas não fixadas textualmente, mas convencionadas pela tradição oral. Apesar de, algumas vezes, poderem parecer, aos olhos alheios, uma mera produção folclórica, de mau gosto e até decadente, a verdade é que têm sido apontadas como uma maneira de dar vazão às poderosas emoções que avassalam o interior da pessoa que sofre uma perda.

Na Fase da Crise podem influir diversos fatores, condicionantes de cada processo de luto, por, além de diversos, serem vividos de forma também diversa por cada pessoa. Assim, entre outros, influem: a intensidade com que foi cometido o crime (por exemplo, a vítima ter sido mutilada viva, ou torturada com ferros em brasa); o carácter súbito do crime (por exemplo, um homicídio num meio de transporte público); a e premeditação do crime (por exemplo, saber-se que a vítima há já algum tempo vinha sendo ameaçada de morte).

Também são importantes os contornos conhecidos ou desconhecidos da história do crime, isto é, do processo histórico que deu origem ao homicídio. Esta história pode ter contornos de conhecimento público mais ou menos acentuados (por exemplo, através de uma exploração com muitas vítimas mortais e consequente difusão pelos órgãos de Comunicação Social) ou ser totalmente desconhecida pela família e/ou amigos da vítima (por exemplo, que a vítima foi esquartejada depois de morrer); bem como detalhes impressionantes (por exemplo, descobrir-se que os autores do crime fizeram uma pintura na parede com o sangue da vítima).