Fase da Organização

A dor da perda começa, pois, a ser extinta e começa a haver um equilíbrio, ao nível da saúde física e psicológica.

A pessoa em luto sente-se agora capaz de perspetivar a morte do ente amado, de a refletir, de racionalizar as informações disponíveis e fazer julgamentos sobre diferentes aspetos desta. É também capaz de tratar e resolver problemas complexos. Começa a inserir-se numa multiplicidade de ajustamentos e novas perspetivas, concebendo, com energia, novos objetivos para a sua vida. Estes podem ser observáveis por familiares e/ou amigos, e/ou por profissionais que tenham acompanhado a pessoa em luto desde a Fase da Crise.

É também nesta Fase que, em muitos casos, a pessoa em processo de luto começa a sentir-se novamente disponível para amar outra pessoa (no caso de ter sido o marido/mulher, companheiro/companheira, namorado/namorada, a morrer) e/ou para estabelecer novas relações de amizade.

A lembrança do ente amado deixa de ser uma permanente «dor da falta», ou uma «dor da ausência», isto é, aquela saudade persistente e torturada, mas uma memória saudável, que marca no pensamento da pessoa um passado importante, feliz, parte decisiva da sua história e da sua identidade, mas algo perdido e já ultrapassado. É uma memória acomodada que não gera instabilidade ou desorganização, mas adaptação e caminho para o futuro sem luto.