Jornal SOL: Acolhimento de Emergência para Mulheres Vítimas de Violência

 

 

 

 

“A secretária de Estado da Igualdade revelou hoje que foram investidos este ano quase 500 mil euros no acolhimento de emergência de vítimas de violência doméstica e avisou que, no futuro, irá ser feita uma avaliação qualitativa.

Numa audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, a secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade adiantou que em matéria de acolhimento de emergência e autonomização das mulheres acolhidas nas casas abrigo, o Governo tem investido “verbas expressivas”.

De acordo com Teresa Morais, a primeira fase do acolhimento de emergência, a 11 de Janeiro, protocolado com 11 instituições, foi dada uma verba de 307 mil euros.

Já na segunda fase, a 17 de Outubro, o acordo estendeu-se a mais duas instituições, tendo sido libertados mais 190 mil euros.

“Temos neste momento 13 instituições que receberam um total de 497 mil euros neste ano para criarem vagas e acolherem mulheres em situação de emergência”, revelou a secretária de Estado.

Acrescentou que este é um investimento que está a ser feito com recurso às verbas dos jogos sociais e defendeu que o objectivo é eliminar progressivamente os casos de mulheres encaminhadas para pensões.

Por outro lado, em matéria de autonomização das vítimas de violência doméstica, a secretária de Estado adiantou que, com os novos apoios criados em 2012, foram dados 250 mil euros a 10 instituições.

“É reconhecidamente baixo o valor de RSI [Rendimento Social de Inserção] a que as mulheres têm direito quando saem das casas abrigo, mas admito que a Segurança Social não tenha condições para que esse valor seja elevado, mas é para compensar essas dificuldades que existem outras formas de financiamento”, apontou.

Nesse sentido, lembrou o fundo de 530 mil euros criado e atribuído às casas abrigo do país para que tivessem uma reserva financeira para poderem apoiar o processo de autonomização das vítimas de violência doméstica.

Nas palavras de Teresa Morais, “todos estes apoios têm saldo”, acrescentando que as verbas concedidas até ao final do ano têm a possibilidade de transitar para 2014.

“A conclusão a que chegamos é que vamos chegar ao final do ano com margem, isto é, essas entidades não vão gastar tudo o que receberam. Mas está previsto a transição desses saldos. Ninguém exigirá a devolução desses dinheiros, mas haverá uma triagem”, garantiu a secretária de Estado.

Apontou, por outro lado, que em matéria de possibilidade de alargamento de financiamentos, estão em causa apenas situações novas e não já existentes, referindo-se às estruturas que tenham vivido até agora do financiamento de projectos comunitários e que terminado o actual quadro comunitário, fiquem numa situação de dificuldade financeira.

Defendeu, por isso, que não faz sentido continuar a dar “balões de oxigénios de uma forma cega a todas as estruturas e instituições que beneficiaram de projectos do POPH [Programa Operacional Potencial Humano]”.

“Isto vai exigir uma avaliação qualitativa”, garantiu, salvaguardando que não pretende sustentar essas estruturas.

Deixou a garantia de que se tentará encontrar financiamento para as estruturas que “tendo vivido de projectos comunitários até agora, demonstram uma capacidade de intervenção e uma qualidade que justifica que elas possam ter por via de outra fonte de financiamento uma sobrevivência no sistema”.

Por outro lado, caso houvesse possibilidade de alargamento de financiamento e da cobertura nacional de estruturas de apoio à vítima, Teresa Morais adiantou que o critério seria começar pelos distritos com menos cobertura em proporção à população.

“A conclusão é que há 4 ou 5 para onde se tem de olhar à lupa: Viseu, Vila Real, Aveiro, Lisboa e Leiria”, adiantou.

Acrescentou que Viseu, por exemplo, só tem uma única estrutura e uma população que ultrapassa meio milhão de habitantes.”

Fonte: SOL

 

 

 

 

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