Estatísticas APAV Relatório Anual 2023

Introdução 4
Metodologia 5
Trabalho desenvolvido pela APAV e dados de Caracterização dos utentes 6
Tipo de contacto efetuado para a APAV 6
Horário do primeiro atendimento 8
Quem efetuou o(s) contacto(s) 9
Referenciação dos/as utentes para a APAV 10
Apoio prestado pela APAV 11
Intervenção na crise no 1º atendimento 11
Caracterização das Vítimas apoiadas 12
Sexo das vítimas apoiadas 12
Idade das vítimas apoiadas 14
Nacionalidade das vítimas apoiadas 16
Apoio existente aquando da intervenção da APAV 18
Distribuição das vítimas por distritos e municípios 19
Caracterização do/a Autor/a do Crime e de outras formas de Violência 25
Sexo do/a autor/a do crime e de outras formas de violência 25
Idade do/a autor/a do crime e de outras formas de violência 26
Relação do/a autor/a do crime e outras formas de violência com a vítima 27
Caracterização da Vitimação 30
Tipo e duração da vitimação 30
Local do crime e de outras formas de violência 32
Existência, momento e local da queixa/denúncia 33
Crimes e Outras Formas de Violência 36
Desdobramento da Violência Sexual 39
ACT - Autoridade para as Condições do Trabalho APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
CICDR - Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial CIG – Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género
CITE - Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego
CNAI/CNAIM – Centro Nacional de Apoio ao Imigrante/Centro Nacional de Apoio à Integração de Migrantes
CNO - Centro de Novas Oportunidades
CPCJ – Comissão de Proteção de Crianças e Jovens CPVC - Comissão de Proteção às Vítimas de Crimes DIAP - Departamento de Investigação e Ação Penal GAV – Gabinete de Apoio à Vítima
GNR – Guarda Nacional Republicana
IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional IN Reabilitação - Instituto Nacional para a Reabilitação INEM – Instituto Nacional de Emergência Médica
INMLCF – Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses ISS - Instituto de Segurança Social
LNES – Linha Nacional de Emergência Social MP - Ministério Público
ONG/IPSS – Organização não-governamental/Instituição Particular de Solidariedade Social
OPC – Órgãos de Polícia Criminal
PAVD – Programa para Agressores de Violência Doméstica PJ – Polícia Judiciária
PSP – Polícia de Segurança Pública
SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
UAVMD - Unidade de Apoio à Vítima Migrante e de Discriminação
O presente relatório estatístico tem como principal objetivo a análise da informação estatística compilada pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), ao longo do ano transato de 2023.
Com uma trajetória de 34 anos, a APAV assinala um marco relevante no âmbito do trabalho desenvolvido em prol das vítimas de crime e de violência. Enquanto entidade sem fins lucrativos, oferece apoio individualizado e qualificado às vítimas, através da disponibilização de serviços gratuitos e confidenciais. A sua derradeira meta consiste em fomentar e contribuir para a informação, salvaguarda e assistência às pessoas lesadas por infrações penais ou qualquer forma de violência, ainda que esta não constitua um delito penal.
Na busca pela distinção e pela expansão das suas fronteiras, a APAV tem progressivamente diversificado a sua atuação, estendendo-se na criação de diversos serviços de proximidade, bem como no desenvolvimento de iniciativas de alcance nacional e internacional no contexto da violência doméstica, na esfera da defesa e promoção dos direitos das vítimas de crimes, na prevenção de delitos e vitimização em contextos urbanos, no âmbito do homicídio, na sensibilização e formação sobre violência doméstica e sexual em instituições de ensino, na prevenção escolar, entre outras áreas de atuação.
Este relatório destaca, portanto, os dados relativos ao trabalho da APAV no domínio da prevenção secundária e terciária, isto é, no apoio direto às vítimas de crimes (prevenção secundária) e nos cuidados de reabilitação e reintegração das mesmas (prevenção terciária), bem como o investimento efetuado pela Instituição na prevenção primária, visando mitigar ocorrências de vitimização.
Advogando pela excelência dos serviços prestados, e considerando que a APAV é uma entidade que fomenta uma cultura de exigência em várias vertentes, o trabalho estatístico é sistematicamente concebido com o desígnio de melhorias contínuas, para a implementação de boas práticas neste domínio.
Os resultados apresentados abarcam uma abrangência nacional, reportando-se a todos os serviços de proximidade providos pela APAV em 2023.
A seguir, procedemos à exposição da informação estatística compilada.
A descrição metodológica do trabalho estatístico desenvolvido pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) reveste-se de primordial importância, pois permite uma análise precisa e transparente dos dados apresentados.
Neste contexto, durante o ano de 2023, a metodologia empregue foi realizada de acordo com os seguintes procedimentos:
ª Etapa - Levantamento da Informação: O processo teve início com a recolha da informação processual proveniente de cada um dos serviços de proximidade da APAV (Gabinetes de Apoio à Vítima, Equipas Móveis de Apoio à Vítima, Polos de Atendimento em Itinerância, Sub-Redes Especializadas, Casas de Abrigo, Sistema Integrado de Apoio à Distância e Linha Internet Segura) por intermédio de uma plataforma informática específica.
ª Etapa - Análise e Depuração da Base de Dados: Posteriormente, procedeu-se à exportação dos dados, sucedida por um minucioso processo de triagem dos dados (data screening), cujo propósito foi identificar possíveis incongruências ou lacunas no preenchimento da base de dados, visando garantir um tratamento dos dados preciso e fiel à realidade possível.
ª Etapa - Procedimentos de Análise Estatística: O tratamento da informação recolhida foi executado considerando diversas perspetivas, incluindo a análise do trabalho realizado pela APAV no ano em questão, o quantitativo de vítimas apoiadas, autores de delitos, bem como o número de crimes e outras manifestações de violência assinaladas em cada processo.
ª Etapa - Elaboração de Relatórios Estatísticos: Por fim, procedeu-se à produção do relatório estatístico anual, o qual contempla uma visão geral do trabalho desempenhado pela APAV (abrangendo todos os Serviços de Proximidade que oferecem apoio às vítimas de crime e de violência). Este relatório destaca os valores de maior relevância estatística.
Trabalho desenvolvido pela APAV e dados de Caracterização dos utentes
Durante o ano civil de 2023, a APAV procedeu à abertura de 14.044 novos processos de apoio, debruçando igualmente a sua atenção em 4.496 processos em acompanhamento. Desta forma, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, em 2023, trabalhou com um total de
18.540 processos de apoio, o que representou um aumento de 10,2% face a 2022.

Tipo de contacto
APOIO ONLINE
291; 1,6%
OUTROS
309; 1,7%
POR EMAIL
3.731; 20%
PRESENCIAL
3.487; 18,7%
TELEFÓNICO
10.340; 55,3%
NÃO SE SABE
524; 2,8%
N: 18.682
0
2000
4000
6000
8000
10000
12000
A multiplicidade de modalidades de contacto ofereceu flexibilidade na interação entre a APAV e os/as utentes, permitindo uma abordagem diversificada e adaptada às preferências e necessidades individuais de cada beneficiário dos serviços. Neste sentido, ao longo do ano civil de 2023, evidenciou-se como preponderante o tipo de contacto telefónico, totalizando 10.340 casos (55,3%), seguido do atendimento por email, com um registo de 3.731 casos (20%).
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É importante observar que, para cada utente que solicitou apoio junto da APAV em 2023, foi possível assinalar a ocorrência de mais do que um tipo de contato em simultâneo, o que resulta no total de tipos de contato superior ao número total de utentes;
Esta tendência manteve-se consistente com os anos anteriores de 2022 e 2021. Destaca-se ainda a significativa ocorrência do atendimento presencial, que contabilizou 3.487 casos (18,7%), notável pela sua relevância nos gabinetes de apoio à vítima.
Dos 291 contactos relativos ao apoio online registados, salientar que mais de metade dos mesmos foram conduzidos através da rede social Facebook/Messenger (n=178; 61,3%). Adicionalmente, destaca-se o contacto efetuado pelos/as utentes por meio do Instagram, totalizando 64 casos (22%), persistindo a tendência identificada no ano civil de 2022.
Apoio online | N | % |
Clientscape | 3 | 1 |
Facebook/Messenger | 178 | 61,3 |
Google/Online Forms | 5 | 1,7 |
64 | 22 | |
1 | 0,3 | |
Skype | 19 | 6,6 |
Teams | 1 | 0,3 |
1 | 0,3 | |
14 | 4,8 | |
Zoom | 4 | 1,4 |
Não se sabe | 1 | 0,3 |
Total | 291 | 100 |
No que diz respeito ao horário de atendimento, os Serviços de Proximidade da APAV funcionam, regra geral, entre as 9h e as 18h, com exceção, por exemplo, do Sistema Integrado de Apoio à Distância que, em 2023, alargou o seu horário de atendimento, funcionando entre as 08:00 horas e as 23:00 horas. Em termos do primeiro atendimento, o horário de maior afluxo de utentes localizou-se entre as 10h e as 11:59h (n=3.646; 25,9%) e entre as 14h e as 15:59h (n=3.388; 24,2%).
Horário do primeiro atendimento2 | N | % |
[8-9h[ | 146 | 1 |
[9-10h[ | 725 | 5,2 |
[10-11h[ | 2.012 | 14,3 |
[11-12h[ | 1.634 | 11,6 |
[12-13h[ | 1.128 | 8 |
[13-14h[ | 519 | 3,7 |
[14-15h[ | 1.791 | 12,8 |
[15-16h[ | 1.597 | 11,4 |
[16-17h[ | 1.279 | 9,1 |
[17-18h[ | 809 | 5,8 |
[18-19h[ | 277 | 2 |
[19-20h[ | 262 | 1,9 |
[20-21h[ | 201 | 1,4 |
[21-22h[ | 119 | 0,8 |
[22-23h[ | 31 | 0,2 |
Outro horário | 134 | 1 |
Não se sabe | 1.380 | 9,8 |
Total | 14.044 | 100 |
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Para efeitos de análise desta variável, foram considerados apenas os utentes que contataram a APAV pela primeira vez em 2023 ;
Contacto efetuado por 3 | N | % |
Denunciante | 8.153 | 43,8 |
Vítima | 9.055 | 48,7 |
Não se sabe ou não se enquadra numa situação de violência | 1.394 | 7,5 |
Total | 18.602 | 100 |
Dos contactos efetuados4 para a APAV durante o ano civil de 2023, destacam-se tanto os que foram realizados pela própria vítima (n=9.055; 48,7%) como por denunciantes (e.g. amigos/conhecidos, familiares, instituições e/ou outros) que perfizeram um total de 43,8% (n=8.153) dos registos.
Dos 8.153 contactos promovidos por denunciantes, 3.739 (45,9%) constituíram contactos de natureza institucional. Neste contexto, dos 3.739 contactos estabelecidos por instituições, merecem destaque os efetuados à APAV pelo Tribunal ou Ministério Público, totalizando 39,2% (n=1.466) dos registos, assim como os contactos realizados pelos Órgãos de Polícia Criminal, que representaram 26,2% (n=980) do total de registos APAV.
Contacto Institucional | N | % |
Instituição de acolhimento em Casa Abrigo | 135 | 3,6 |
Advogados | 12 | 0,3 |
CPCJ | 193 | 5,2 |
Polícia Criminal | 980 | 26,2 |
Tribunal ou MP | 1.466 | 39,2 |
Outra instituição | 953 | 25,5 |
Total | 3.739 | 100 |
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É importante salientar que, para cada processo, pode haver múltiplos contactos realizados por diferentes pessoas. Assim, o total de "quem efetuou o contacto para a APAV" é superior ao número total de utentes, refletindo situações em que tanto a vítima quanto o denunciante, por exemplo, efetuaram contactos distintos no âmbito do mesmo processo APAV;
Era viável registar mais de uma instância de contacto por processo, resultando num total de contactos efetuados para a APAV que poderia ser superior ao número de utentes;
No âmbito das atividades desempenhadas pela APAV, reveste-se de extrema relevância a compreensão das diferentes vias pelas quais os/as utentes tomam conhecimento da Instituição. Este entendimento consolida a compreensão das dinâmicas de acesso dos/as utentes à APAV, informação crucial para a contínua otimização dos serviços prestados pela Instituição.
Ao analisar os processos de apoio que receberam atenção por parte da APAV ao longo do ano civil de 2023, destaca-se que a iniciativa própria emergiu como a fonte de referência predominante por parte dos/as utentes, totalizando 9.046 casos (53,2%). Em segundo plano, os Órgãos de Polícia Criminal figuram como a segunda principal via de referência, contribuindo com 2.034 casos, o que representa 12% do conjunto de dados. Ressalta-se, adicionalmente, a relevância da referenciação efetuada pelos Tribunais, totalizando 1.017 casos (6%).
Referenciação para a APAV5 | N | % |
Amigo/conhecido/vizinho | 728 | 4,3 |
Autarquia | 326 | 1,9 |
Comunicação Social | 34 | 0,2 |
CPCJ | 325 | 1,9 |
CIG | 15 | 0,08 |
CNAI/CNAIM | 5 | 0,02 |
Estabelecimento de ensino | 82 | 0,5 |
Estabelecimento de saúde | 352 | 2,1 |
Familiar | 990 | 5,8 |
Iniciativa própria | 9.046 | 53,2 |
INMLCF | 23 | 0,2 |
LNES | 67 | 0,4 |
Ministério Público | 689 | 4 |
ONG/IPSS | 96 | 0,6 |
OPC | 2.034 | 12 |
Publicidade | 17 | 0,1 |
SEF | 5 | 0,02 |
Segurança social | 189 | 1,1 |
Tribunal | 1.017 | 6 |
Outro serviço telefónico | 23 | 0,2 |
Outro | 924 | 5,4 |
Total | 16.987 | 100 |
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5 Destaca-se que cada utente poderia ser referido para os serviços APAV por mais do que uma entidade em simultâneo. Optou-se, nesta variável, por não se fazer referência a dados "não se sabe" para efeitos de análise, resultando num total de referenciações inferior ao número total de utentes que contactou a APAV em 2023.
Tipo de Apoio prestado6 | N | % |
Apoio Genérico | 11.255 | 46,9 |
Apoio Emocional e/ou Psicológico | 8.337 | 34,7 |
Apoio Jurídico | 3.373 | 14,1 |
Apoio Social | 1.025 | 4,3 |
Total | 23.990 | 100 |
No ano de 2023, a APAV ofereceu uma variedade de serviços aos/às seus/suas utentes. Nota- se uma ênfase significativa no apoio emocional e/ou psicológico, representando 34,7% do total de apoio prestado, seguido do apoio jurídico, que alcançou 14,1%, e do apoio social, com 4,3%. Embora a APAV seja reconhecida pela oferta de apoio especializado, é igualmente relevante destacar a sua atuação no âmbito do apoio genérico, que representou 46,9% do total de apoio prestado.

Intervenção na crise
N: 14.044
10.844; 77,2%
Sim
Não
Não se sabe
2.826; 20,1%
374; 2,7%
No que concerne à intervenção em situações de crise, constatou-se que, num contexto restrito correspondente a 2,7% dos/as utentes (n=374), foi imperativo intervir de maneira imediata com o propósito específico de mitigar o stress emocional.
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É importante salientar que cada utente pode ter recebido mais do que um tipo de apoio simultaneamente, resultando numa contagem total de apoios superior ao número total de utentes. Para efeitos de análise desta variável, optou-se por não fazer referência a dados categorizados como "não se sabe",
Foram considerados apenas os utentes que contactaram a APAV pela primeira vez em 2023 para efeitos de análise desta variável;

Sexo da Vítima
N: 16.185
12.398; 76,6%
48; 0,3%
Feminino Intersexo Masculino
Não se sabe
3.532; 21,8%
207; 1,3%
Durante o ano civil de 2023, a APAV prestou apoio a um total de 16.185 vítimas, abarcando não apenas vítimas de crime, mas também aquelas afetadas por diversas formas de violência, ainda que estas possam não constituir crime de acordo com o Código Penal português. Estes dados assinalam um aumento de 10,2% em comparação ao ano anterior, que tinha totalizado 14.688 vítimas apoiadas.
Constata-se que, ao longo do ano de 2023, o maior número de vítimas que procurou apoio na APAV era do sexo feminino (n=12.398; 76,6%). Esta constância repete a tendência observada em anos anteriores, reafirmando que as mulheres continuam a ser o grupo mais frequentemente visado em termos de vitimação. Importa salientar que este número tem sofrido um aumento gradual ao longo dos anos: em 2019 alcançou 80,5% (n=9.397); em 2020, fixou-se em 74,9% (n=9.805); em 2021, elevou-se para 77,9% (n=10.308); e em 2022, representou 77,7% (n=11.410) das vítimas apoiadas pela APAV. Este padrão revela a persistência de desafios específicos enfrentados pelas mulheres em termos de vitimação, motivando a APAV a continuar a sua missão de apoio e intervenção direcionada.
Cumpre ressaltar, adicionalmente, a significativa percentagem de homens que, em 2023, após serem vítimas de crime e outras formas de violência, procuraram apoio na APAV, a qual se fixou em 21,8% (n=3.532). Estes números assinalam um patamar inédito para a APAV, superando as estatísticas anteriores: em 2019, a representação masculina de vítimas era de 18,7% (n=2.180); em 2020, situou-se em 17,5% (n=2.293); em 2021, já havia atingido os 19,7% (n=2.601); em 2022, representava 20,5% (n=3.013) das vítimas apoiadas pela APAV. Este aumento constante reflete não apenas um reconhecimento crescente das experiências de vitimação entre os indivíduos do sexo masculino, mas também indica uma mudança significativa na disposição dos homens em reconhecerem e procurarem apoio para as suas próprias situações de vitimação junto de instituições de apoio.
Destaca-se, também, que o número de vítimas intersexo8 que procurou apoio na APAV tem experimentado um aumento significativo. Em 2019, essa parcela representou 0,1% (n=12) das vítimas; no ano subsequente, em 2020, a APAV contabilizou 19 vítimas intersexo, equivalendo a 0,1% do total de vítimas apoiadas. Em 2021, observou-se um aumento significativo, com 36 vítimas intersexo apoiadas, representando 0,3% do total. Em 2022, essa percentagem permaneceu inalterada, com 39 vítimas apoiadas. Em 2023, manteve-se nos 0,3% (n=48) das vítimas apoiadas pela APAV. Este crescimento notório revela não apenas um aumento quantitativo, mas uma evolução na consciência social sobre as experiências das pessoas intersexo enquanto vítimas de crime e de outras formas de violência. Apesar de a sociedade enfrentar desafios na plena compreensão das experiências específicas destas vítimas, a APAV continua a ser uma fonte vital de apoio inclusivo, reforçando o compromisso com a missão de proporcionar apoio abrangente a todas as vítimas, independentemente da sua identidade de género ou caraterísticas individuais.
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Termo que designa uma variedade de condições em que uma pessoa nasce com uma anatomia reprodutiva ou sexual que não se encaixa na definição típica de sexo feminino ou masculino;
No que concerne à demografia das vítimas que procuraram apoio na APAV em 2023, destaca-se a predominância da faixa etária entre os 25 e os 54 anos de idade, que totalizou 6.693 vítimas, o que corresponde a 41,3% do total de vítimas. Este perfil demográfico reflete uma tendência crescente que se tem verificado em anos anteriores: em 2019, a representação desta faixa etária era de 36,6%, com 4.271 vítimas apoiadas; em 2020, atingiu 38,3%, com 5.020 vítimas; em 2021,
alcançou os 40,4%, com 5.341 vítimas; e em 2022, fixou-se em 39,6%, com 5.823 vítimas apoiadas pela APAV. O padrão observado, com a concentração significativa de vítimas na faixa etária entre os 25 e os 54 anos que buscam apoio na APAV, sugere uma continuidade na necessidade de intervenção e suporte ao longo do tempo para este segmento específico da população adulta.
Idade da Vítima | N | % |
0-3 anos | 377 | 2,3 |
4-5 anos | 248 | 1,5 |
6-10 anos | 818 | 5,1 |
11-17 anos | 1.623 | 10 |
18-24 anos | 1.254 | 7,8 |
25-34 anos | 1.995 | 12,3 |
35-44 anos | 2.546 | 15,7 |
45-54 anos | 2.152 | 13,3 |
55-64 anos | 1.128 | 7 |
65 ou + anos | 1.671 | 10,3 |
Não se sabe | 2.373 | 14,7 |
Total | 16.185 | 100 |
O aumento no número de crianças e jovens (até aos 17 anos) que procuraram apoio na APAV em 2023, representando 18,9% (n=3.066) do total de vítimas apoiadas, é um indicativo significativo da crescente importância da Associação na proteção das camadas mais jovens da sociedade. Esta taxa representa um aumento em comparação com o ano anterior – 2022 - quando as vítimas nessa faixa etária totalizaram 17,7%.
Este aumento contínuo, tem sido uma tendência desde, pelo menos, 2019 (n=1.467; 12,5%). Mais ainda, destacar que, de 2019 a 2023, observamos um aumento de 109% no número de crianças e jovens vítimas que buscaram apoio na APAV.
Em 2023, o número de pessoas idosas vítimas (65 anos ou mais) registou um aumento significativo em comparação com 2022, que tinha totalizado 1.528 vítimas (um aumento de 9,4% entre 2022 e 2023). No decorrer de 2023, a APAV prestou apoio a 1.671 (10,3%) pessoas idosas vítimas de crime e violência, marcando um valor que ultrapassa os anos anteriores: em 2019, a APAV apoiou 1.341 (11,5%) pessoas idosas vítimas. A análise deste período revela um aumento substancial de 24,6% no número de pessoas idosas vítimas que procuraram apoio junto da APAV. Esta ascensão no número de pessoas idosas que se tornam vítimas de crime e violência coloca em destaque uma preocupação crucial em relação a esta população mais vulnerável. Este aumento, embora apresente desafios significativos, também destaca a importância contínua do papel da APAV na identificação, prevenção e intervenção eficaz em situações que afetam as pessoas idosas.
A análise da nacionalidade das vítimas apoiadas pela APAV em 2023 reitera uma consistente predominância da nacionalidade portuguesa, com 11.910 vítimas, representando 73,6% do total de vítimas apoiadas. Esta observação alinha-se com as tendências assinaladas em anos anteriores, sendo que, em 2022, 76,7% das vítimas eram portuguesas (n=11.272), em 2021, esta proporção atingiu 79,9% (n=10.569), e em 2020, 75,4% das vítimas eram da mesma nacionalidade (n=9.867).
Guiada pelo princípio fundamental da não discriminação com base na nacionalidade, a APAV oferece apoio a todas as vítimas, independentemente da sua origem nacional. E os números refletem inequivocamente esse compromisso. Ao longo do ano civil de 2023, a APAV prestou apoio a 2.562 (15,8%) vítimas de nacionalidade estrangeira, marcando o registo mais elevado de sempre. Em comparação, em 2022, foram apoiadas 1.987 (13,6%) vítimas estrangeiras; em 2021, o número fixou-se em 1.580 (16,4%), enquanto em 2020, foram apoiadas
1.520 (11,6%) vítimas provenientes de diferentes nacionalidades. De forma específica, é relevante destacar as nacionalidades estrangeiras que apresentaram uma percentagem mais significativa de vítimas apoiadas pela APAV em 2023: a comunidade brasileira lidera estas estatísticas, com 1.231 (7,6%) vítimas, representando um aumento em relação a 2022 (n=971; 6,6%), 2021 (n=753; 5,7%), e 2020 (n=684; 5,2%). A nacionalidade ucraniana também verificou um crescimento constante, com 151 vítimas (1%) em 2023, em comparação com 88 (0,6%) em 2022, 60 (0,5%) em 2021 e 68 (0,5%) em 2020. Outro destaque vai para as vítimas de nacionalidade angolana, com 148 (1%) vítimas apoiadas pela APAV em 2023, marcando um aumento significativo em relação a 2022 (n=108; 0,7%), 2021 (n=106; 0,8%) e 2020 (n=91; 0,7%). Esse incremento sublinha a necessidade contínua de abordagens culturalmente sensíveis e inclusivas para atender às necessidades específicas das vítimas de outras nacionalidades. Este aumento constante no número de vítimas estrangeiras apoiadas pela APAV destaca o papel crucial da organização na prestação de assistência a uma comunidade diversificada. A abordagem inclusiva e não discriminatória reforça o compromisso da APAV em garantir que todas as vítimas, independentemente da sua nacionalidade, recebem o apoio necessário para superar as consequências do crime e da violência.
Nacionalidade | N | % | Nacionalidade | N | % |
Afeganistão | 2 | 0,01 | Itália | 25 | 0,2 |
África do Sul | 8 | 0,04 | Japão | 1 | 0,006 |
Alemanha | 51 | 0,3 | Jordânia | 1 | 0,006 |
Angola | 148 | 1 | Kuwait | 1 | 0,006 |
Argélia | 2 | 0,01 | Letónia | 3 | 0,01 |
Argentina | 29 | 0,2 | Líbano | 1 | 0,006 |
Arménia | 1 | 0,006 | Libéria | 1 | 0,006 |
Austrália | 2 | 0,01 | Líbia | 1 | 0,006 |
Áustria | 2 | 0,01 | Lituânia | 3 | 0,01 |
Bangladesh | 20 | 0,1 | Madagáscar | 1 | 0,006 |
Bélgica | 7 | 0,04 | Marrocos | 19 | 0,1 |
Benim | 1 | 0,006 | México | 4 | 0,02 |
Bielorrússia | 2 | 0,01 | Moçambique | 30 | 0,2 |
Brasil | 1.231 | 7,6 | Moldávia/Moldova | 63 | 0,4 |
Bulgária | 7 | 0,04 | Nepal | 30 | 0,2 |
Cabo Verde | 83 | 0,5 | Nigéria | 5 | 0,03 |
Camarões | 3 | 0,01 | Noruega | 2 | 0,01 |
Camboja | 1 | 0,006 | Países Baixos | 1 | 0,006 |
Canadá | 4 | 0,02 | Paquistão | 19 | 0,1 |
Cazaquistão | 1 | 0,006 | Paraguai | 1 | 0,006 |
Chile | 4 | 0,02 | Peru | 8 | 0,04 |
China | 5 | 0,03 | Polónia | 12 | 0,07 |
Colômbia | 35 | 0,2 | Portugal | 11.910 | 73,6 |
Congo | 2 | 0,01 | Quénia | 1 | 0,006 |
Coreia do Sul | 1 | 0,006 | Reino Unido | 82 | 0,5 |
Croácia | 1 | 0,006 | República Checa | 2 | 0,01 |
Cuba | 2 | 0,01 | Rep. Dem. Congo | 1 | 0,006 |
Dinamarca | 1 | 0,006 | Roménia | 43 | 0,3 |
Equador | 4 | 0,02 | Rússia | 33 | 0,2 |
Eritreia | 1 | 0,006 | Salvador | 1 | 0,006 |
Eslovénia | 2 | 0,01 | São Tomé Príncipe | 34 | 0,2 |
Espanha | 38 | 0,2 | Senegal | 2 | 0,01 |
Estados Unidos da América | 21 | 0,1 | Serra Leoa | 1 | 0,006 |
Estónia | 2 | 0,01 | Sérvia | 9 | 0,05 |
Filipinas | 3 | 0,01 | Singapura | 1 | 0,006 |
Finlândia | 4 | 0,02 | Síria | 4 | 0,02 |
França | 45 | 0,3 | Suécia | 4 | 0,02 |
Geórgia | 2 | 0,01 | Suíça | 3 | 0,01 |
Guiné | 24 | 0,2 | Tailândia | 1 | 0,006 |
Guiné-Bissau | 32 | 0,2 | Timor-Leste | 3 | 0,01 |
Holanda | 22 | 0,1 | Tunísia | 2 | 0,01 |
Hungria | 3 | 0,01 | Turquia | 3 | 0,01 |
Índia | 40 | 0,3 | Ucrânia | 151 | 1 |
Indonésia | 1 | 0,006 | Uruguai | 1 | 0,006 |
Irão | 7 | 0,04 | Venezuela | 29 | 0,2 |
Iraque | 1 | 0,006 | Vietname | 1 | 0,006 |
Irlanda | 7 | 0,04 | Zimbabwe | 2 | 0,01 |
Israel | 1 | 0,006 | Não se sabe | 1.713 | 10,6 |
Total | 16.185 | 100 | |||
O processo de intervenção da APAV junto das vítimas de crime e de outras formas de violência é intrincado e multifacetado, sendo de vital importância considerar a presença ou ausência de redes de apoio das diversas vítimas no momento da intervenção. Este aspeto desempenha um papel crucial na compreensão das dinâmicas envolvidas e na eficácia do apoio prestado.
A análise das redes de apoio recolhidas pela APAV no momento do primeiro contacto das vítimas, em 2023, revela uma panorâmica complexa das dinâmicas sociais que envolvem o processo de intervenção. A esfera familiar surge como um elemento central nas redes de apoio, abrangendo 55% das vítimas que procuraram apoio na APAV em 2023.
Apoio existente aquando da intervenção da APAV9 | N | % |
Apoio de amigos | 2.666 | 19,7 |
Apoio familiar | 7.445 | 55 |
Apoio de vizinhos | 358 | 2,6 |
Apoio institucional | 887 | 6,6 |
Outros apoios | 144 | 1,1 |
Sem apoio | 2.028 | 15 |
Total | 13.528 | 100 |
O apoio proveniente de amigos é outra componente que deve ser destacada, estando presente em 19,7% das vítimas apoiadas pela APAV em 2023.
Todavia, importa notar que 15% das vítimas que procuraram apoio na APAV em 2023 não apresenta qualquer tipo de apoio, seja ele familiar, comunitário e/ou institucional. A constatação de que uma parcela significativa das vítimas não possui redes de apoio sublinha uma vulnerabilidade acrescida. A ausência de suporte não apenas intensifica o impacto emocional, mas pode igualmente comprometer a capacidade de recuperação e resiliência.
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É importante notar que uma única vítima pode ter apresentado vários tipos de apoio simultaneamente. Não foram considerados dados "não se sabe" nesta variável para efeitos de análise, o que resultou num total de apoios inferior ao número total de vítimas apoiadas pela APAV em 2023;
A compreensão da distribuição geográfica das vítimas oferece implicações estratégicas cruciais para a atuação da APAV. A identificação dos distritos mais afetados não apenas orienta a alocação de recursos, mas também sugere a necessidade de estratégias específicas de prevenção e intervenção adaptadas às dinâmicas locais. A implementação de medidas preventivas, a promoção de sensibilização local e o fortalecimento das parcerias com instituições locais são estratégias-chave para otimizar o impacto da APAV nos distritos que concentram maior número de vítimas.
Distrito residência vítima | N | % |
Aveiro | 317 | 2 |
Beja | 68 | 0,4 |
Braga | 1.511 | 9,3 |
Bragança | 47 | 0,3 |
Castelo Branco | 74 | 0,5 |
Coimbra | 502 | 3,1 |
Évora | 96 | 0,6 |
Faro | 2.985 | 18,4 |
Guarda | 42 | 0,2 |
Leiria | 278 | 1,7 |
Lisboa | 3.336 | 20,6 |
Portalegre | 289 | 1,8 |
Porto | 2.029 | 12,5 |
Santarém | 500 | 3,1 |
Setúbal | 1.059 | 6,5 |
Viana do Castelo | 109 | 0,7 |
Vila Real | 531 | 3,3 |
Viseu | 178 | 1,1 |
Região Autónoma Açores | 318 | 2 |
Região Autónoma Madeira | 93 | 0,6 |
Não se sabe | 1.823 | 11,3 |
Total | 16.185 | 100 |
Ao analisar o perfil demográfico das vítimas apoiadas pela APAV no ano de 2023, destaca-se uma concentração significativa das áreas de residência das mesmas nos distritos de Lisboa (n=3.336; 20,6%), Faro (n=2.985; 18,4%), do Porto (n=2.029; 12,5%) e de Braga (n=1.511; 9,3%).
Abrangência municipal da APAV em 2023: Alcance Nacional Significativo
Num cenário que abraça a diversidade geográfica de Portugal, a APAV, ao longo do ano de 2023, apoiou vítimas de 292 municípios10, dos 308 existentes em todo o país. Estes dados refletem o compromisso em proporcionar apoio abrangente e especializado às vítimas de crime e de outras formas de violência, independentemente da sua localização geográfica. A APAV reforça a sua presença territorial, destacando uma cobertura nacional que atingiu aproximadamente 95% dos municípios. Este alcance sublinha a dedicação em servir comunidades urbanas, rurais e suburbanas, demonstrando a disponibilidade da APAV para enfrentar desafios e fornecer apoio em diversos contextos. Ao chegar a 292 municípios, a APAV ultrapassou desafios geográficos e logísticos para assegurar que as vítimas em áreas remotas ou menos acessíveis também tenham acesso aos seus serviços. A abrangência territorial da APAV traduz-se, assim, numa mensagem de inclusão e representatividade. A sua presença em 292 municípios permite à Associação colaborar, de forma direta e estreita, com as comunidades locais, entendendo melhor as dinâmicas específicas de cada região, o que possibilita uma resposta mais adaptada e personalizada às necessidades de cada área. Esta abordagem reflete não apenas uma resposta às necessidades imediatas, mas também um investimento contínuo na construção de comunidades mais resilientes e informadas em relação ao apoio a vítimas.
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Em alguns casos, foi possível identificar o distrito de residência das vítimas, mas não o município específico;
Municípios | N | % | Municípios | N | % | Municípios | N | % |
Abrantes | 21 | 0,1 | Calheta (Madeira) | 2 | 0,01 | Gouveia | 2 | 0,01 |
Águeda | 22 | 0,1 | Câmara de Lobos | 9 | 0,05 | Grândola | 7 | 0,04 |
Alandroal | 1 | 0,006 | Caminha | 6 | 0,03 | Guarda | 6 | 0,03 |
Albergaria-a- Velha | 3 | 0,01 | Campo Maior | 6 | 0,03 | Guimarães | 175 | 1,1 |
Albufeira | 335 | 2,1 | Cantanhede | 22 | 0,1 | Horta | 3 | 0,01 |
Alcácer do Sal | 8 | 0,04 | Carrazeda de Ansiães | 3 | 0,01 | Idanha-a-Nova | 1 | 0,006 |
Alcanena | 8 | 0,04 | Carregal do Sal | 6 | 0,03 | Ílhavo | 16 | 0,09 |
Alcobaça | 22 | 0,1 | Cartaxo | 41 | 0,3 | Lagoa (Açores) | 30 | 0,2 |
Alcochete | 12 | 0,07 | Cascais | 415 | 2,7 | Lagoa (Faro) | 87 | 0,5 |
Alcoutim | 6 | 0,03 | Castanheira de Pêra | 4 | 0,02 | Lagos | 41 | 0,3 |
Alenquer | 53 | 0,3 | Castelo Branco | 11 | 0,06 | Lajes do Pico | 2 | 0,01 |
Alfândega da Fé | 2 | 0,01 | Castelo de Paiva | 8 | 0,04 | Lamego | 22 | 0,1 |
Alijó | 36 | 0,2 | Castelo de Vide | 1 | 0,006 | Leiria | 50 | 0,3 |
Aljezur | 3 | 0,01 | Castro Daire | 6 | 0,03 | Lisboa | 787 | 4,9 |
Aljustrel | 7 | 0,04 | Castro Marim | 17 | 0,1 | Loulé | 507 | 3,1 |
Almada | 278 | 1,7 | Castro Verde | 1 | 0,006 | Loures | 178 | 1,1 |
Almeida | 1 | 0,006 | Celorico da Beira | 3 | 0,01 | Lourinhã | 17 | 0,1 |
Almeirim | 50 | 0,3 | Celorico de Basto | 11 | 0,06 | Lousã | 8 | 0,04 |
Almodôvar | 2 | 0,01 | Chamusca | 13 | 0,08 | Lousada | 33 | 0,2 |
Alpiarça | 10 | 0,06 | Chaves | 34 | 0,2 | Mação | 2 | 0,01 |
Alter do Chão | 13 | 0,08 | Cinfães | 5 | 0,03 | Macedo de Cavaleiros | 3 | 0,01 |
Alvaiázere | 5 | 0,03 | Coimbra | 263 | 1,6 | Machico | 7 | 0,04 |
Alvito | 1 | 0,006 | Condeixa-a-Nova | 24 | 0,2 | Mafra | 72 | 0,5 |
Amadora | 299 | 1,9 | Constância | 4 | 0,02 | Maia | 132 | 0,8 |
Amarante | 25 | 0,2 | Coruche | 12 | 0,07 | Marco de Canaveses | 19 | 0,1 |
Amares | 26 | 0,2 | Covilhã | 25 | 0,2 | Marinha Grande | 16 | 0,09 |
Anadia | 8 | 0,04 | Crato | 11 | 0,06 | Marvão | 3 | 0,01 |
Angra do Heroísmo | 15 | 0,09 | Cuba | 1 | 0,006 | Matosinhos | 129 | 0,8 |
Ansião | 4 | 0,02 | Elvas | 11 | 0,06 | Mealhada | 14 | 0,08 |
Arcos de Valdevez | 4 | 0,02 | Entroncamento | 11 | 0,06 | Mêda | 1 | 0,006 |
Arganil | 9 | 0,05 | Espinho | 19 | 0,1 | Melgaço | 3 | 0,01 |
Armamar | 9 | 0,05 | Esposende | 23 | 0,2 | Mértola | 1 | 0,006 |
Arouca | 3 | 0,01 | Estarreja | 9 | 0,05 | Mesão Frio | 13 | 0,08 |
Arraiolos | 7 | 0,04 | Estremoz | 15 | 0,09 | Mira | 10 | 0,06 |
Arruda dos Vinhos | 5 | 0,03 | Évora | 35 | 0,2 | Miranda do Corvo | 7 | 0,04 |
Aveiro | 37 | 0,2 | Fafe | 41 | 0,3 | Mirando do Douro | 2 | 0,01 |
Avis | 14 | 0,08 | Faro | 698 | 4,3 | Mirandela | 9 | 0,05 |
Azambuja | 31 | 0,2 | Felgueiras | 26 | 0,2 | Moimenta da Beira | 1 | 0,006 |
Baião | 18 | 0,1 | Ferreira do Alentejo | 2 | 0,01 | Moita | 43 | 0,3 |
Barcelos | 101 | 0,6 | Ferreira do Zêzere | 1 | 0,006 | Monção | 11 | 0,06 |
Barreiro | 91 | 0,6 | Figueira da Foz | 44 | 0,3 | Monchique | 9 | 0,05 |
Batalha | 4 | 0,02 | Figueira de Castelo Rodrigo | 1 | 0,006 | Mondim de Basto | 16 | 0,09 |
Beja | 18 | 0,1 | Figueiró dos Vinhos | 2 | 0,01 | Monforte | 7 | 0,04 |
Benavente | 39 | 0,3 | Fornos de Algodres | 1 | 0,006 | Montalegre | 11 | 0,06 |
Bombarral | 27 | 0,2 | Freixo de Espada à Cinta | 3 | 0,01 | Montemor-o- Novo | 5 | 0,03 |
Borba | 4 | 0,02 | Fronteira | 17 | 0,1 | Montemor-o- Velho | 23 | 0,2 |
Boticas | 2 | 0,01 | Funchal | 41 | 0,3 | Montijo | 45 | 0,3 |
Braga | 753 | 4,6 | Fundão | 15 | 0,09 | Mora | 2 | 0,01 |
Bragança | 14 | 0,08 | Gavião | 24 | 0,2 | Mortágua | 4 | 0,02 |
Cabeceiras de Basto | 12 | 0,07 | Góis | 3 | 0,01 | Moura | 4 | 0,02 |
Cadaval | 53 | 0,3 | Golegã | 10 | 0,06 | Mourão | 2 | 0,01 |
Caldas da Rainha | 29 | 0,2 | Gondomar | 157 | 1 | Murça | 34 | 0,2 |
Municípios | N | % | Municípios | N | % | Municípios | N | % |
Murtosa | 4 | 0,02 | Póvoa de Varzim | 36 | 0,2 | Terras de Bouro | 13 | 0,08 |
Nazaré | 9 | 0,05 | Povoação | 7 | 0,04 | Tomar | 15 | 0,09 |
Nelas | 6 | 0,03 | Proença-a-Nova | 3 | 0,01 | Tondela | 14 | 0,08 |
Nisa | 18 | 0,1 | Redondo | 1 | 0,006 | Torre Moncorvo | 3 | 0,01 |
Nordeste | 4 | 0,02 | Reguengos de Monsaraz | 5 | 0,03 | Torres Novas | 22 | 0,1 |
Óbidos | 6 | 0,03 | Resende | 1 | 0,006 | Torres Vedras | 54 | 0,3 |
Odemira | 9 | 0,05 | Ribeira Brava | 5 | 0,03 | Trancoso | 1 | 0,006 |
Odivelas | 293 | 1,8 | Ribeira da Pena | 2 | 0,01 | Trofa | 31 | 0,2 |
Oeiras | 305 | 1,9 | Ribeira Grande | 51 | 0,3 | Vagos | 12 | 0,07 |
Oleiros | 2 | 0,01 | Rio Maior | 40 | 0,3 | Vale de Cambra | 6 | 0,03 |
Olhão | 323 | 2 | Sabrosa | 26 | 0,2 | Valença | 6 | 0,03 |
Oliveira de Azeméis | 24 | 0,2 | Sabugal | 4 | 0,02 | Valongo | 75 | 0,5 |
Oliveira Frades | 2 | 0,01 | Salvaterra de Magos | 21 | 0,1 | Valpaços | 6 | 0,03 |
Oliveira do Bairro | 7 | 0,04 | Santa Comba Dão | 3 | 0,01 | Velas | 3 | 0,01 |
Oliveira do Hospital | 8 | 0,04 | Santa Cruz | 20 | 0,1 | Vendas Novas | 6 | 0,03 |
Ourém | 20 | 0,1 | Santa Cruz da Graciosa | 1 | 0,006 | Viana do Alentejo | 1 | 0,006 |
Ourique | 3 | 0,01 | Santa Maria da Feira | 62 | 0,4 | Viana do Castelo | 37 | 0,2 |
Ovar | 22 | 0,1 | Santa Marta de Penaguião | 11 | 0,06 | Vidigueira | 1 | 0,006 |
Paços de Ferreira | 227 | 1,4 | Santana | 2 | 0,01 | Vieira do Minho | 28 | 0,2 |
Palmela | 102 | 0,6 | Santarém | 136 | 0,9 | Vila de Rei | 2 | 0,01 |
Pampilhosa da Serra | 2 | 0,01 | Santiago do Cacém | 13 | 0,08 | Vila do Bispo | 9 | 0,05 |
Paredes | 70 | 0,4 | Santo Tirso | 34 | 0,2 | Vila do Conde | 46 | 0,3 |
Paredes de Coura | 3 | 0,01 | São Brás de Alportel | 118 | 0,7 | Vila do Porto | 1 | 0,006 |
Pedrógão Grande | 7 | 0,04 | São João da Madeira | 13 | 0,08 | Vila Flor | 1 | 0,006 |
Penacova | 4 | 0,02 | São João da Pesqueira | 12 | 0,07 | Vila Franca de Xira | 123 | 0,8 |
Penafiel | 35 | 0,2 | São Pedro do Sul | 5 | 0,03 | Vila Franca do Campo | 26 | 0,2 |
Penalva do Castelo | 3 | 0,01 | Sardoal | 2 | 0,01 | Vila Nova da Barquinha | 5 | 0,03 |
Penamacor | 3 | 0,01 | Sátão | 4 | 0,02 | Vila Nova da Cerveira | 2 | 0,01 |
Penedono | 2 | 0,01 | Seia | 13 | 0,08 | Vila Nova de Famalicão | 117 | 0,7 |
Penela | 9 | 0,05 | Seixal | 136 | 0,9 | Vila Nova de Foz Côa | 1 | 0,006 |
Peniche | 34 | 0,2 | Sernancelhe | 3 | 0,01 | Vila Nova de Gaia | 332 | 2 |
Peso da Régua | 42 | 0,3 | Serpa | 12 | 0,07 | Vila Nova de Paiva | 1 | 0,006 |
Pinhel | 1 | 0,006 | Sertã | 10 | 0,06 | Vila Nova de Poiares | 3 | 0,01 |
Pombal | 21 | 0,1 | Sesimbra | 63 | 0,4 | Vila Pouca de Aguiar | 16 | 0,09 |
Ponta Delgada | 156 | 1 | Setúbal | 226 | 1,4 | Vila Praia da Vitória | 2 | 0,01 |
Ponta do Sol | 1 | 0,006 | Sever do Vouga | 2 | 0,01 | Vila Real | 272 | 1,7 |
Ponte da Barca | 3 | 0,01 | Silves | 196 | 1,2 | Vila Real de Santo António | 165 | 1 |
Ponte de Lima | 23 | 0,2 | Sines | 9 | 0,05 | Vila Verde | 82 | 0,5 |
Ponte de Sor | 108 | 0,7 | Sintra | 401 | 2,5 | Vila Viçosa | 4 | 0,02 |
Portalegre | 23 | 0,2 | Sobral de Monte Agraço | 15 | 0,09 | Vimioso | 2 | 0,01 |
Portel | 4 | 0,02 | Soure | 8 | 0,04 | Vinhais | 1 | 0,006 |
Portimão | 254 | 1,6 | Sousel | 29 | 0,2 | Viseu | 39 | 0,3 |
Porto | 448 | 2,8 | Tábua | 5 | 0,03 | Vizela | 18 | 0,1 |
Porto de Mós | 10 | 0,06 | Tabuaço | 4 | 0,02 | Vouzela | 2 | 0,01 |
Porto Santo | 3 | 0,01 | Tarouca | 3 | 0,01 | Não se sabe | 2.592 | 16 |
Póvoa de Lanhoso | 22 | 0,1 | Tavira | 164 | 1 | Total | 16.185 | 100 |

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Como já foi referido, no decorrer do ano de 2023, as vítimas que foram apoiadas na APAV distribuíram-se por diversos municípios, evidenciando a extensividade da resposta da associação em território nacional. Os destaques mais significativos abrangem um total de dez localizações, revelando uma dispersão geográfica e a relevância do apoio em diferentes regiões do país. Por ordem decrescente destacam-se os municípios como Lisboa com 4,9% (n=787) de vítimas, Braga (n=753; 4,6%), Faro (n=698; 4,3%), Loulé (n=507; 3,1%), Porto (n=448; 2,8%), Cascais (n=415; 2,7%), Sintra (n=401; 2,5%), Albufeira (n=335; 2,1%), Vila Nova de Gaia (n=332; 2%) e finalmente Olhão com 2% (n=323) vítimas apoiadas. Este panorama ressalva a diversidade e amplitude das necessidades de apoio a vítimas de crimes e de outras formas de violência em várias regiões do país, reforçando a importância contínua dos serviços da APAV em proporcionar suporte eficaz e especializado.
Em análise comparativa entre os anos de 2022 e 2023, observa-se um aumento substancial no número de vítimas provenientes de determinados municípios que procuraram apoio junto da APAV. Esta tendência é marcada por uma duplicação e, em alguns casos, mais do que duplicação das vítimas apoiadas, destacando a necessidade premente de intervenção e suporte nestes municípios específicos. Este padrão foi especialmente evidente em alguns municípios, como por exemplo: Alter do Chão (em 2022: n=6; em 2023: n=13), Bombarral (em 2022: n=5; em 2023: n=27), Cadaval (em 2022: n=28; em 2023: n=53), Câmara de Lobos (em 2022: n=3; em 2023: n=9), Coruche (em 2022: n=4; em 2023: n=12), Fundão (em 2022: n=5; em 2023: n=15), Gavião (em 2022: n=12; em 2023: n=24), Lamego (em 2022: n=8; em 2023: n=22), Murça (em 2022: n=12; em 2023: n=34), Odemira (em 2022: n=4; em 2023: n=9), Oliveira do Hospital (em 2022: n=4; em 2023: n=8), Porto de Mós (em 2022: n=4; em 2023: n=10), Povoação (em 2022: n=3; em 2023: n=7), São João da Pesqueira (em 2022: n=6; em 2023: n=12), Serpa (em 2022: n=6; em 2023: n=12), Sertã (em 2022: n=4; em 2023: n=10), Sobral de Monte Agraço (em 2022: n=7; em 2023: n=15), Terras de Bouro (em 2022: n=6; em 2023: n=13), Vila Franca do Campo (em 2022: n=9; em 2023: n=26), Vila Pouca de Aguiar (em 2022: n=8; em 2023: n=16), Vila Real de Santo António (em 2022: n=80; em 2023: n=165).
A análise deste aumento expressivo de vítimas nos diferentes municípios entre os anos em questão aponta para a importância contínua de uma atuação pró-ativa e adaptativa por parte da APAV, assegurando que a oferta de apoio e serviços acompanhe as dinâmicas e necessidades específicas de cada município.

Sexo do/a Autor/a
N: 16.471
20; 0,1%
10.712; 65%
Feminino
Intersexo
Masculino
Não se sabe / não se aplica
3.550; 21,6%
2.189; 13,3%
No decorrer do ano de 2023, chegou ao conhecimento da APAV um total de 16.471 autores/as de crimes e de outras formas de violência. Predominantemente, estes autores eram do sexo masculino, totalizando 65% do conjunto (n=10.712), refletindo uma constante tendência observada nos anos anteriores, onde a maioria dos autores é composta por homens.
É relevante salientar que a presença de mulheres como autoras de crime e de outras formas de violência manteve-se ao longo dos anos, apresentando percentagens consideráveis. Em 2019, as mulheres representaram 13,1% (n=1.545), em 2020 esse número foi de 12% (n=1.627), em 2021 atingiu 11,9% (n=1.589), em 2022 representou 12,9% (n=1.906) dos registos APAV, e em 2023 elevou-se para 13,3% (n=2.189), constituindo o valor mais elevado nos últimos anos.
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Nos dados apresentados referentes ao autor/a do crime e de outras formas de violência, a categoria "Não se sabe” estende-se também aos casos de “Não se aplica", sendo utilizada quando a informação sobre o/a autor/a não está disponível ou não é aplicável, sendo especialmente relevante quando o/a autor/a é uma pessoa coletiva;
Em 2023, a APAV teve conhecimento, através das vítimas que apoiou, de um total de 16.471 autores/as de crime e de outras formas de violência. No que diz respeito à distribuição por faixas etárias, observa-se que a maioria destes/as autores/as de crime e de outras formas de violência se situou entre os 25 e os 54 anos de idade, totalizando 29,9% (n=4.923) dos/as autores/as. Esta distribuição etária reflete uma continuidade na tendência identificada em anos anteriores: em 2019, o conjunto das faixas etárias entre os 25 e os 54 anos de idade representava 24,5% (n=2.886) dos/as autores/as conhecidos pela APAV. Em 2020, essa percentagem aumentou para 28,3% (n=3.712), seguido por 23,7% (n=3.182) em 2021. No ano de 2022, esta faixa etária manteve-se elevada, correspondendo a 26,3% (n=3.897) dos/as autores/as.
Idade do/a autor/a do crime e de outras formas de violência | N | % |
6-10 anos | 20 | 0,1 |
11-17 anos | 190 | 1,1 |
18-24 anos | 524 | 3,2 |
25-34 anos | 1.245 | 7,6 |
35-44 anos | 1.900 | 11,5 |
45-54 anos | 1.778 | 10,8 |
55-64 anos | 853 | 5,2 |
65 ou + anos | 726 | 4,4 |
Não se sabe/não se aplica | 9.235 | 56,1 |
Total | 16.471 | 100 |
Em 2023, a APAV tomou conhecimento de um total de 210 menores autores/as de crime e de outras formas de violência, o que representou 1,2% do conjunto de autores/as.
Em 2023, a APAV tomou conhecimento de 726 pessoas idosas (65 anos ou mais) autores/as de crime e de outras formas de violência, o que perfez um total de 4,4% do conjunto de autores/as. Esta percentagem mantém uma tendência observada nos anos anteriores: em 2022, fixou-se em 4,2% (n=623) dos/as autores/as, em 2021 representava 4,2% (n=536), em 2020 atingiu 4,8% (n=631), e, em 2019, 4,5% (n=536) do total de autores/as de crime e de violência. Assim, entre 2019 e 2023, houve um aumento de 35,4% no número de pessoas idosas autores/as de crime e de outras formas de violência que chegou ao conhecimento da APAV.
As relações entre autor/a e vítima são comumente pautadas por relações de intimidade, como é o caso da conjugalidade (n=2.317; 14,1%), da relação entre companheiros (n=1.565; 9,5%), ex-companheiros (n=1.475; 9%), ex-namorados (n=602; 3,7%), ex-cônjuges (n=536; 3,3%) e entre namorados/as (n=315; 1,9%). Desta forma, os autores/as de crime e de violência envolvidos/as em relações de intimidade que chegaram ao conhecimento da APAV totalizaram, no seu conjunto, 41,5% (n=6.810) das relações estabelecidas entre autor/a do crime e de outras formas de violência e vítima. Ao longo do período de 2019 a 2023, observou- se um aumento significativo de 26,7% no número de autores/as de crime e de outras formas de violência envolvidos/as em relações de intimidade com as vítimas.
Os dados revelam também a significativa presença de relações familiares de consanguinidade nas situações de crime e de violência, destacando-se o número em que o/a autor/a é pai ou mãe da vítima (10,9%; n=1.788) e, em menor escala, mas não menos preocupante, o valor em que o/a autor do crime e da violência é filho/a da vítima (6%; n=995). É preocupante observar
o aumento expressivo de agressões perpetradas pelo/a pai/mãe contra os/as filhos/as ao longo do período de 2019 (6,8%; n=804) a 2023 (10,9%; n=1.788), que representa um aumento de 122,4%. Da mesma forma, o número de filhos/as autores/as, no mesmo período temporal (2019 - n=871 - a 2023 - n=995), representa um aumento de 14,2%. Na mesma linha de pensamento, e ainda em termos de violência no seio familiar, os dados revelam também um aumento substancial no número de autores/as de crime e de outras formas de violência que são padrastos e madrastas das vítimas e que chegou ao conhecimento da APAV ao longo dos anos. Em 2019, representava 0,6% (n=68) dos autores/as de crimes e de outras formas de violência, aumentando para 1,7% (n=222) em 2020, mantendo-se em 1,6% em 2021 (n=208) e 2022 (n=244). Em 2023, este número atingiu 2,3% (n=385), representando um aumento significativo de cerca de 466,2% no número de autores/as que agrediram os/as enteados/as no período entre 2019 e 2023. Ainda na esteira da violência no seio familiar, os números evidenciam também um aumento na violência perpetrada por avós: em 2019, representavam 0,4% (n=48) dos autores/as de crimes e de outras formas de violência, enquanto em 2023 esse número aumentou para 0,5% (n=94), refletindo um aumento de 95,8% no número de autores/as que são avós das vítimas e que chegou ao conhecimento da APAV.
No âmbito da violência intrafamiliar, destaca-se também a incidência de violência perpetrada por genros e noras que atingiu, em 2023, o valor mais elevado que até então chegou a conhecimento da APAV, totalizando 0,6% (n=101) dos autores/as de crime e de outras formas de violência. Em 2019, este número era de 0,4% (n=50). Assim, entre 2019 e 2023, observou-se um aumento significativo de 102% no número de autores/as que são genros/noras das vítimas e que chegou ao conhecimento da APAV.
Relação Autor-Vítima | N | % |
Amigo/a | 82 | 0,5 |
Avô/ó | 94 | 0,5 |
Colega de escola/trabalho | 321 | 1,9 |
Companheiro/a | 1.565 | 9,5 |
Conhecido | 492 | 3 |
Cônjuge | 2.317 | 14,1 |
Elemento das forças de segurança | 14 | 0,08 |
Entidade patronal | 126 | 0,8 |
Ex-companheiro/a | 1.475 | 9 |
Ex-cônjuge | 536 | 3,3 |
Ex-namorado/a | 602 | 3,7 |
Filho/a | 995 | 6 |
Funcionário de instituição | 35 | 0,2 |
Genro/nora | 101 | 0,6 |
Irmão/ã | 278 | 1,7 |
Namorado/a | 315 | 1,9 |
Nenhuma | 435 | 2,6 |
Neto/a | 58 | 0,4 |
Padrasto/madrasta | 385 | 2,3 |
Pai/mãe | 1.788 | 10,9 |
Pessoa indefesa com quem coabita | 2 | 0,01 |
Prestador/fornecedor de serviços | 81 | 0,5 |
Progenitor de descendente comum | 17 | 0,1 |
Sogro/a | 48 | 0,3 |
Vizinho/a | 293 | 1,8 |
Outra relação | 787 | 4,8 |
Outra relação familiar | 286 | 1,7 |
Não se sabe | 2.943 | 17,9 |
Total | 16.471 | 100 |
Ressalta-se que as agressões perpetradas entre colegas de escola/trabalho têm aumentado ao longo dos anos. Em 2019, esse número ficou em 1,4% (n=168), enquanto em 2020 diminuiu para 1% (n=126). No entanto, em 2021, cresceu para 1,2% (n=160), em 2022 alcançou 2% (n=295) e, em 2023, estabilizou em 1,9% (n=321) do total de autores/as conhecidos/as pela APAV. Assim, entre 2019 e 2023, o número de autores/as de crime e de outras formas de violência contra colegas de escola/trabalho que chegou ao conhecimento da APAV aumentou significativamente em 91,1%.
Os dados apresentam também uma preocupante tendência de aumento no número de entidades patronais como autores/as de crime e de outras formas de violência. Em 2019, estas agressões representavam 0,5% (n=65) do número de autores/as, mantendo-se em 0,5% em 2020 (n=69), 2021 (n=69) e 2022 (n=74). Notavelmente, em 2023, o número atingiu o valor mais alto que alguma vez chegou ao conhecimento da APAV, totalizando 0,8% (n=126) do número de autores/as provenientes de entidades patronais, o que representa um aumento de 93,8% no período de 2019 a 2023.

Tipo de Vitimação
Continuada Não Continuada Não se sabe
N: 16.185
2.104; 13%
7.313; 45,2%
6.768; 41,8%
A análise do perfil de vitimação das 16.185 vítimas apoiadas pela APAV em 2023 revela que 45,2% (n=7.313) foram vítimas de vitimação continuada, caraterizada pela recorrência e persistência ao longo do tempo. Essa constatação reafirma uma tendência que tem sido observada de forma consistente nos anos anteriores. Em 2022, aproximadamente metade das vítimas apoiadas pela Associação (n=7.203; 49,1%) também enfrentou este tipo de vitimação prolongada no tempo. Esta proporção manteve-se elevada em 2021, onde 50% (n=6.644) das vítimas sofreu experiências de vitimação continuada. Estes dados revelam a complexidade e a gravidade das situações enfrentadas por um número significativo de vítimas, indicando a necessidade de intervenções especializadas e estratégias abrangentes para lidar com a vitimação continuada.
Importa igualmente considerar a dimensão da vitimação não continuada, caraterizada por atos únicos de vitimação. No ano de 2023, do total de 16.185 vítimas que procurou apoio junto da APAV, 13% (2.104) afirmou ter sido vitimada apenas uma vez. É relevante ressaltar que esse número demonstra um crescimento no número de vítimas ao longo do tempo: em 2022, 12,6% (n=1.855) das vítimas experienciou um ato isolado de vitimação, enquanto, em 2021, 13%
(n=1.669) das vítimas afirmou ter sido alvo de vitimação não continuada. Esta tendência ascendente na vitimação não continuada pode indicar mudanças nos padrões de crime e violência, enfatizando a complexidade e a diversidade das experiências das vítimas.
Duração da Vitimação | N | % |
Entre 1 e 6 meses | 997 | 13,7 |
Entre 7 meses e 1 ano | 1.148 | 15,7 |
Entre 2 e 3 anos | 1.173 | 16 |
Entre 4 e 5 anos | 731 | 10 |
Entre 6 e 7 anos | 383 | 5,2 |
Entre 8 e 11 anos | 595 | 8,1 |
Entre 12 a 20 anos | 688 | 9,4 |
Entre 21 e 30 anos | 299 | 4,1 |
Entre 31 e 50 anos | 221 | 3 |
51 ou + anos | 28 | 0,4 |
Não se sabe | 1.050 | 14,4 |
Total | 7.313 | 100 |
No decorrer do ano de 2023, e das 7.313 vítimas que afirmaram ser alvo de vitimação continuada, a predominância verificou-se na faixa temporal compreendida entre 7 meses e 3 anos (n=2.321; 31,7%). Este dado está em conformidade com as observações de anos anteriores: em 2022, 28,6% (n=2.060) das vítimas em situação de vitimação continuada descreveram que a duração dessa experiência se situava entre 7 meses e 3 anos. No ano de 2021, esse valor foi de 30,2% (n=2.008). Esta persistência da vitimação na faixa de 7 meses a 3 anos indica uma característica consistente nos padrões de vitimação continuada, sugerindo uma duração relativamente prolongada deste fenómeno.
É crucial ainda chamar a atenção para um aspeto significativo da realidade das vítimas apoiadas pela APAV em 2023, que se prende com o número daquelas que afirmaram ser alvo de vitimação por um período superior a 50 anos. Este número representou 0,4% (n=28) do total de vítimas que declararam vivenciar uma situação de vitimação continuada. Tal cenário revela que algumas vítimas enfrentam um ciclo de vitimação prolongado e persistente ao longo de várias décadas. A preocupação com esta parcela específica de vítimas é acentuada ao observarmos um aumento gradual ao longo dos anos. Em 2022, este grupo representava 0,2% (n=18) das vítimas de vitimação continuada, enquanto, em 2021, o número era de 0,3% (n=16) das vítimas.
Local de Crime e de Outras Formas de Violência12 | N | % |
Comunicação Social | 33 | 0,2 |
Estabelecimento de ensino | 227 | 1,5 |
Estabelecimento/Unidade de Saúde | 45 | 0,3 |
Evento Público | 18 | 0,1 |
Instalações judiciais e/ou judiciárias | 20 | 0,1 |
Instituição de Acolhimento | 41 | 0,3 |
Outra instituição | 1 | 0,006 |
Internet e/ou telefone | 1.100 | 7,4 |
Local de trabalho | 553 | 3,7 |
Loja/centro comercial | 81 | 0,6 |
Lugar/via pública | 1.428 | 9,5 |
Residência comum | 7.293 | 48,7 |
Residência da vítima | 2.242 | 15 |
Residência do/a autor/a | 1.201 | 8 |
Outra residência | 295 | 2 |
Transportes Públicos | 22 | 0,1 |
Viatura automóvel | 146 | 1 |
Outro local | 226 | 1,5 |
Total | 14.972 | 100 |
Compreendendo a relevância da análise dos locais onde ocorreram os crimes e outras formas de violência em 2023, tendo em conta as vítimas apoiadas pela APAV, a residência comum entre vítima e autor/a (48,7%), seguida da residência da vítima (15%) e da via pública (9,5%) continuam a figurar como os locais mais frequentes da prática de violência. Estes dados alinham-se com as tendências observadas em anos anteriores, indicando que estes três locais continuam a ser os mais comuns para a perpetração de violência contra as vítimas que procuram apoio junto da APAV.
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Quanto aos locais onde os crimes e outras formas de violência ocorreram, salienta-se que uma única vítima pode ter sido alvo de violência em mais do que um local. Além disso, para a análise desta variável, optou-se por não incluir dados referentes à categoria "não se sabe" no presente relatório, o que resultou numa contagem total de locais inferior ao número total de vítimas apoiadas pela APAV em 2023;
Ainda no ano de 2023, é de notar a referência significativa das vítimas apoiadas pela APAV quanto à ocorrência de violência na residência do/a autor/a do crime e de outras formas de violência (8%) e em locais remotos, como a internet e/ou o telefone (7,4%). Vale ressalvar que esta tendência já se verificava em 2022, onde 6,5% das vítimas apoiadas pela APAV foi agredida por meio da internet/telefone. Em 2021, esse número foi de 6,6%. Assim, entre 2021 e 2023, observou-se um aumento significativo de 29,9% no número de vítimas que foram violentadas por meio da internet/telefone.

Sim Não
Não se sabe
N: 16.185
5.706; 35,3%
8.419; 52%
2060; 12,7%
Em 2023, observou-se que 52% (n=8.419) das vítimas que procurou apoio na APAV apresentou queixa junto de uma autoridade competente13, refletindo um crescimento significativo nos últimos anos. Em 2021, este número era de 46% (n=6.067) e, em 2022, atingiu 49,2% (n=7.221) das vítimas. Entre 2021 e 2023, verificou-se um aumento expressivo de 38,8% no número de vítimas cuja situação foi participada às autoridades competentes, evidenciando uma maior disposição em recorrer ao sistema judicial para lidar com as situações de violência.
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No que diz respeito às situações de queixa/denúncia as autoridades competentes são sobretudo o Ministério Público e os Órgãos de Polícia Criminal, entre outros;

Momento apresentação queixa/denúncia
N: 8.419
7.417; 88,1%
Antes de contacto com a APAV
Depois de contacto com a APAV
Não se sabe
219; 2,6%
783; 9,3%
Consequentemente, é de destacar que se tem verificado uma tendência decrescente do número de pessoas que não apresentam queixa/denúncia, mantendo-se ainda assim uma percentagem elevada (35,3%; n=5.706) de vítimas que optam por não apresentar queixa/denúncia junto de uma autoridade competente. Este cenário alinha-se com os dados de 2022, onde 37,2% das vítimas fizeram a mesma escolha e, em 2021, essa percentagem atingiu 41% (n=5.376) das vítimas.
A predominância de queixas e denúncias junto das autoridades competentes realizadas antes do contacto da vítima e/ou do denunciante com a APAV destaca a importância de compreender os canais iniciais de procura de justiça. Em 2023, 88,1% das queixas/denúncias (n=7.417) foram apresentadas previamente ao contacto com a APAV, mantendo-se consistente com a tendência observada em 2022, onde 88,9% (n=6.417) das queixas/denúncias seguiram o mesmo padrão.
Por outro lado, é relevante notar que 9,3% (n=783) das vítimas optaram por apresentar queixa/denúncia após o contacto com a APAV. Esta escolha reflete uma dinâmica em que uma parcela significativa das pessoas apoiadas pela APAV decide posteriormente recorrer aos meios legais.
Em 2023, entre as vítimas que apresentaram queixa/denúncia junto das autoridades competentes (n=8.419; 52%), destaca-se que 43% (n=3.602) optaram por apresentar queixa ou denúncia na Polícia de Segurança Pública (PSP). Em segundo lugar, a Guarda Nacional Republicana (GNR) figurou, com 37,7% (n=3.161) das vítimas, mantendo-se a tendência dos anos anteriores. Estes números refletem a importância da colaboração estreita da APAV com as forças de segurança, especialmente a PSP e a GNR, com vista a garantir um canal eficaz de denúncia e resposta a situações de violência.
Local de apresentação de queixa/denúncia14 | N | % |
GNR | 3.161 | 37,7 |
INMLCF | 7 | 0,08 |
MP | 500 | 6 |
PJ | 737 | 8,8 |
PSP | 3.602 | 43 |
SEF | 15 | 0,2 |
Outro | 357 | 4,3 |
Total | 8.379 | 100 |
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Em relação aos locais onde as vítimas apresentaram queixa ou onde as denúncias das situações de violência cometidas contra elas foram feitas, é relevante destacar que uma única vítima pode ter referido mais do que um local. Além disso, para a análise desta variável, optou-se por não incluir dados referentes à categoria "não se sabe" no presente relatório, o que resultou numa contagem total de locais inferior ao número total de queixas/denúncias.
Em termos de crimes e outras formas de violência destaca-se o seguinte:
- Os crimes contra as pessoas representam, como é hábito, a maior fatia do total de crimes e outras formas de violência sinalizadas. Em 2023, esta categoria criminal representou 93,6% do total de crimes e outras formas de violência que chegaram ao conhecimento dos múltiplos Serviços de Proximidade da APAV;
- Especial destaque para o crime de violência doméstica que representou 75,8%(n=23.465)
da criminalidade relatada à APAV;

Crimes & outras formas de violência
830; 2,7%
N: 30.950
Crimes contra as pessoas
Crimes contra a vida em sociedade Crimes contra o património
Crimes de perigo comum (rodoviários) Crimes contra o Estado
Outros crimes & outras formas de violência
35; 0,1%
28.981; 93,6%
53; 0,2%
1.046; 3,4%
5; 0,02%
- Os 5 crimes e outras formas de violência mais relatadas são: o crime de violência doméstica (n=23.465; 75,8%); os crimes sexuais contra crianças e jovens (n=1.760; 5,7%); os crimes de ameaça/coação (n=933; 3%); o crime de ofensas à integridade física (simples) (n=788; 2,6%); e os crimes de difamação/injúria (n=735; 2,4%).
Crimes e Outras Formas de Violência15 | N | % | ||
Crimes contra as Pessoas | Crimes contra a vida ou a integridade física | Homicídio consumado16 | 75 | 0,2 |
Homicídio tentado17 | 50 | 0,2 | ||
Ofensas à integridade física (simples) | 788 | 2,6 | ||
Ofensas à integridade física (grave) | 53 | 0,2 | ||
Ofensas à integridade física - outra (qualificada, privilegiada, por negligência) | 8 | 0,02 | ||
Intervenções e tratamentos médico-cirúrgicos (arbitrários) | 4 | 0,01 | ||
Violência Doméstica (maus tratos físicos e psíquicos – 152º) | 23.465 | 75,8 | ||
Maus tratos/Violência institucional | 115 | 0,4 | ||
Outros crimes contra a vida ou a integridade física | 2 | 0,006 | ||
Crimes contra a liberdade pessoal | Ameaça/coação | 933 | 3 | |
Sequestro | 31 | 0,1 | ||
Tráfico de pessoas | 70 | 0,2 | ||
Perseguição (Stalking) | 228 | 0,7 | ||
Outros crimes contra a liberdade pessoal | 2 | 0,006 | ||
Crimes contra a autodeterminação e a liberdade sexual | Crimes sexuais contra adultos | 459 | 1,5 | |
Crimes sexuais contra crianças e jovens | 1.760 | 5,7 | ||
Outros crimes sexuais | 10 | 0,03 | ||
Crimes contra a honra, reserva da vida privada e outros bens jurídicos pessoais | Difamação/injúria | 735 | 2,4 | |
Violação de domicílio ou perturbação da vida privada | 64 | 0,2 | ||
Violação de correspondência ou de telecomunicações | 14 | 0,04 | ||
Devassa da vida privada e/ou fotografias ilícitas | 111 | 0,4 | ||
Outros crimes contra a honra, reserva da vida privada ou outros bens jurídicos pessoais | 4 | 0,01 | ||
Crimes contra a Vida em Sociedade | Crimes contra a Família, de Falsificação de Documentos; Crimes de Perigo Comum | Violação de imposições, proibições ou interdições (impostas por tribunal) | 2 | 0,006 |
Violação de obrigação de prestação de alimentos | 19 | 0,06 | ||
Subtração de menor | 6 | 0,01 | ||
Falsificação de documentos | 20 | 0,06 | ||
Incêndio/explosões | 3 | 0,009 | ||
Propagação de doença contagiosa | 3 | 0,009 | ||
Crimes contra o Património | Crimes contra a Propriedade e contra o Património em Geral | Furto em residência/edifício com arrombamento ou escalonamento | 24 | 0,07 |
Furto: por carteirista | 8 | 0,02 | ||
Furto: no interior de veículo automóvel/motorizado | 2 | 0,006 | ||
Furto: de veículo | 9 | 0,02 | ||
Furto: outros furtos | 58 | 0,2 | ||
Abuso de confiança | 48 | 0,2 | ||
Roubo: em residência | 17 | 0,05 | ||
Roubo: por carjacking | 1 | 0,003 | ||
Roubo: por esticão | 10 | 0,03 | ||
Roubo: outros roubos | 33 | 0,1 | ||
Dano | 96 | 0,3 | ||
Burla | 467 | 1,5 | ||
Extorsão | 44 | 0,1 | ||
Abuso de cartão bancário/crédito | 8 | 0,02 | ||
Outros crimes contra o património | 5 | 0,01 | ||
Crimes de Perigo Comum | Crimes contra Segurança das Comunicações | Condução sem carta | 1 | 0,003 |
Condução sob o efeito de álcool/droga | 3 | 0,009 | ||
Ofensa à integridade física | 1 | 0,003 | ||
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15 A diferença entre o número de crimes e de outras formas de violência e o número de vítimas nos dados apresentados ocorre devido à possibilidade de uma única vítima ser alvo de múltiplos crimes e formas de violência simultaneamente. Dessa forma, o total de crimes é superior ao número total de vítimas apoiadas pela APAV em 2023;
16 Este número abrange casos de homicídios consumados que chegaram ao conhecimento da APAV em 2023, assim como situações criminais análogas que, mesmo ocorrendo em anos anteriores, ainda demandaram acompanhamento por parte de familiares e amigos no decorrer de 2023;
17 Este número abrange casos de homicídios tentados que chegaram ao conhecimento da APAV em 2023, assim como situações criminais análogas que, mesmo ocorrendo em anos anteriores, ainda demandaram acompanhamento por parte de familiares e amigos no decorrer de 2023;
Crimes e Outras Formas de Violência (continuação) | N | % | ||
Crimes contra o Estado | Crimes contra a Realização da Justiça e Crimes de Abuso de Autoridade | Abuso de poder | 26 | 0,08 |
Corrupção | 2 | 0,006 | ||
Falsidade de declarações | 2 | 0,006 | ||
Denúncia caluniosa | 2 | 0,006 | ||
Prevaricação de advogado | 2 | 0,006 | ||
Outros crimes contra o Estado | 1 | 0,003 | ||
Outros Crimes e Outras Formas de Violência | Contraordenações | Assédio moral (mobbing) e/ou sexual | 201 | 0,7 |
Discriminação - racial, religiosa, sexual, por idade, nacionalidade ou género | 37 | 0,1 | ||
Outros Crimes e outras Formas de Violência | Acesso ilegítimo | 56 | 0,2 | |
Alienação parental | 1 | 0,003 | ||
Segurança informática | 7 | 0,02 | ||
Violação de dados pessoais | 8 | 0,02 | ||
Smishing | 3 | 0,009 | ||
Phishing | 16 | 0,05 | ||
Relacionamentos online | 19 | 0,06 | ||
Cyberbullying | 19 | 0,06 | ||
Reputação online | 4 | 0,01 | ||
Sabotagem informática | 2 | 0,006 | ||
Sextortion | 123 | 0,4 | ||
Sexting | 6 | 0,01 | ||
Grooming | 2 | 0,006 | ||
Revenge porn | 1 | 0,003 | ||
Romance scam | 1 | 0,003 | ||
Assédio sexual online | 13 | 0,04 | ||
Falsidade informática | 5 | 0,01 | ||
Fraude informática | 1 | 0,003 | ||
Burla informática | 5 | 0,01 | ||
Interceção ilegítima | 2 | 0,006 | ||
Furto de identidade | 53 | 0,2 | ||
Discriminação e incitamento ao ódio e à violência | 193 | 0,6 | ||
Bullying | 97 | 0,3 | ||
Mutilação genital feminina | 1 | 0,003 | ||
Maus tratos a animais (incluindo a morte destes) | 7 | 0,02 | ||
Exposição à violência, abandono e/ou negligência de pessoa particularmente indefesa | 55 | 0,2 | ||
Denúncia caluniosa | 1 | 0,003 | ||
Casamento forçado | 1 | 0,003 | ||
Exploração laboral | 4 | 0,01 | ||
Profanação de cadáver | 3 | 0,009 | ||
Crimes de guerra | 2 | 0,006 | ||
Negligência médica | 1 | 0,003 | ||
Auxílio à imigração ilegal | 3 | 0,009 | ||
Associação criminosa | 1 | 0,003 | ||
Tráfico de estupefacientes | 1 | 0,003 | ||
Outro crime | 91 | 0,3 | ||
Total | 30.950 | 100 | ||
Nos casos de crimes sexuais, quer sejam praticados contra adultos ou crianças e jovens, é comum que as vítimas descrevam a ocorrência simultânea de diferentes tipos legais de crime. Isto significa que uma única vítima pode ter sido alvo de vários crimes sexuais em simultâneo. A tabela a seguir representa esses casos, destacando a complexidade e a interligação de diferentes formas de violência nessas situações.
Crimes Sexuais | N |
Crimes sexuais (contra adultos) | |
- Coação sexual | 64 |
- Violação | 222 |
- Lenocínio | 2 |
- Importunação sexual | 141 |
- Abuso sexual de pessoa incapaz | 26 |
- Abuso sexual de pessoa internada | 1 |
- Outros crimes sexuais contra adultos | 3 |
Crimes sexuais contra crianças e jovens | |
- Atos sexuais com adolescentes | 34 |
- Abuso sexual de menor dependente ou em situação particularmente vulnerável | 117 |
Abuso sexual de pessoa incapaz de resistência | 12 |
- Abuso sexual de crianças | 659 |
- Aliciamento de menores para fins sexuais | 57 |
- Lenocínio de menores | 2 |
- Recurso à prostituição de menores | 2 |
- Pornografia de menores | 59 |
- Violação de menores | 88 |
- Coação sexual de menores | 36 |
- Importunação sexual de menores | 65 |
- Conteúdo de abuso sexual de menores | 628 |
- Outros crimes sexuais contra menores | 1 |

© APAV | abril 2024
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