Fatores de
risco

Fatores
protetores

Os fatores de risco dizem respeito a características, condições ou variáveis associadas a uma determinada pessoa que aumentam a probabilidade de ocorrência de resultados negativos ou indesejáveis.

Deste modo, concetualizando a cibercriminalidade como um problema ou resultado negativo, os fatores de risco associados à cibervitimação são características ou condições que podem aumentar a probabilidade ou a vulnerabilidade de uma determinada pessoa face ao cibercrime.

A investigação não é particularmente extensa neste domínio, como em muitos outros associados à compreensão do cibercrime. Ainda assim, destacam-se os seguidamente apresentados:

Fatores de risco associados às características sociodemográficas

A associação entre sexo e risco de cibervitimação não é linear variando consoante o tipo de cibercrime

Alguns estudos apontam para o facto de o sexo feminino apresentar maior probabilidade de ser vítima de crimes ciber-dependentes. O mesmo parece decorrer no caso do cyberstalking, com índices superiores de prevalência a afetar o sexo feminino, assim como no cyberbullying.

Por outro lado, no caso das situações de abuso e exploração sexual de crianças online, apesar de a proporção de vítimas do sexo feminino se superiorizar face à dimensão de situações de abuso e exploração sexual online contra crianças do sexo masculino, pelo menos no que respeita aos casos identificados, estes últimos são, por norma, alvo de formas mais graves, severas e intrusivas de agressão sexual.

Já no que respeita à exposição (nomeadamente de crianças e jovens), por exemplo, a conteúdos de discursos de ódio online, as diferenças na média europeia de índices de exposição entre meninas/raparigas e meninos/rapazes são mínimas. O mesmo cenário foi identificado na receção de conteúdos auto produzidos de natureza sexual/sexting, com médias muito semelhantes em ambos os sexos.

Igualmente, quando falamos do fator da idade o mesmo varia consoante o tipo de cibercrime que falamos. Por exemplo há estudos que indicam que as pessoas mais velhas são, com maior frequência do que outras pessoas adultas, vítimas de cibercrime, nomeadamente de crimes ciber-dependentes, como o hacking.

Por outro lado, e em termos genéricos, a população mais jovem, como abordaremos em seguida, apresenta índices elevados de utilização intensiva das TIC e da Internet, concretamente das redes sociais, o que resultará numa maior vulnerabilidade à cibervitimação, em comparação com utilizadores/as mais velhos e com utilizadores/as menos frequentes.

Fatores de risco associados à utilização da Internet e das TIC

São vários os estudos que apontam para a existência de um aumento da vulnerabilidade à cibervitimação por diferentes formas de cibercrime, como seja o hacking, o malware e o phishing, em função dos níveis de utilização da Internet e das TIC. Parece, por isso, existir uma associação entre o nível de atividade nas TIC e a vitimação por cibercrime: pessoas com mais hábitos de utilização das redes sociais e das TIC em geral nas suas atividades diárias apresentam também níveis mais elevados de experiências pessoais de vitimação por cibercrime.

O risco aumentado de cibervitimação em função dos níveis de utilização das TIC não deverá, contudo, ser interpretado de forma linear em que, per se, a utilização das TIC e da Internet aumenta o risco de cibervitimação.

São sobretudo os comportamentos e o tipo de atividades encetadas aquando da utilização das TIC e da Internet os principais fatores que contribuem para a maior vulnerabilidade à vitimação por cibercrime.

Neste sentido, o estilo de vida online de uma pessoa afeta o risco de cibervitimação a que pode estar exposta. Algumas atividades, como o download de programas de freeware[1] ou a utilização de websites de compartilhamento de arquivos, apresentam um nível maior de risco de cibervitimação do que outras atividades, como verificar e-mails ou visitar canais de notícias online.

Pessoas que se envolvem em atividades online menos seguras, como visitar websites desconhecidos e/ou efetuar download de músicas, vídeos, filmes e/ou jogos em plataformas não oficiais, apresentam maior probabilidade de serem alvo de alguma forma de cibervitimação.

 A utilização da webcam, a realização frequente de compras online e a aceitação de pedidos de amizade nas redes sociais provenientes de pessoas/perfis desconhecidos aumentam o risco de cibervitimação.

O efeito de desinibição, ou seja, o modo como a distância física a que a interação ou comunicação ocorre, a ausência de contacto direto no processo de comunicação, o maior anonimato e a perceção de maior controlo sobre o processo de interação parecem contribuir para uma maior facilidade na partilha de informação, na expressão livre de emoções e pensamentos e na adoção de comportamentos que não seriam, respetivamente, partilhados, expressos e praticados no caso de as interações terem lugar em contextos convencionais. Estes comportamentos poderão estar associados a situação de cibervitimação em que a partilha de informação íntima/confidencial é depois usada para cometer o crime contra quem fez essa partilha por exemplo – burlas online, divulgação não consensual de imagens e vídeos íntimos.

Nesse sentido, salienta-se a importância da consciencialização, do conhecimento e das competências de controlo face ao tipo e à dimensão de informação pessoal partilhada ou partilhável na Internet e, em concreto, nas redes sociais. A esse respeito, foi identificada uma associação significativa entre a perceção de risco de/para a privacidade, o controlo percebido face à informação partilhável e os comportamentos de partilha de informação nas redes sociais: as pessoas com níveis mais elevados de controlo percebido face à informação partilhada/partilhável, compartilham de forma mais criteriosa, percecionam se como mais seguras e apresentam menor probabilidade de serem vítimas de cibercrime (Hajli & Lin, 2014 cit in Saridakis et al., 2016).

 

[1]Freeware diz respeito a software ou programas de computador cuja utilização não requer a aquisição de licença/pagamento monetário.

A informação, a sensibilização e a educação enquanto estratégias de prevenção

No campo dos fatores protetores torna-se clara a importância da informação, da sensibilização e da educação de utilizadores/as da Internet e das TIC para o seu papel (ou melhor, para o papel dos seus comportamentos e das suas competências) no aumento da ciber-resiliência e consequente redução do risco de exposição ao cibercrime

  • As campanhas de informação e sensibilização deverão promover o uso seguro e competente da Internet e das TIC;
  • Os programas educativos devem fornecer conhecimento e oportunidades para o treino e assimilação de competências necessárias para a adoção de comportamentos de segurança
  • Informar, de forma explícita, relativamente aos riscos a que os/as utilizadores/as podem estar sujeitos face à utilização da Internet e das TIC;
  • Identificar e consciencializar os/as utilizadores/as para os comportamentos pessoais de risco que podem aumentar a vulnerabilidade à cibervitimação;
  • Sensibilizar os/as utilizadores/as para as medidas de proteção e de cibersegurança existentes, incluindo através de informação objetiva sobre a eficácia da proteção disponível;
  • Instruir sobre as formas de implementação das medidas de proteção e cibersegurança disponíveis, nomeadamente através de ajuda contextual e de instruções passo-a-passo, por exemplo;
  • Enfatizar os resultados positivos associados à adoção de comportamentos seguros online.
Adopção de comportamentos seguros e uma postura proactiva face à cibersegurança

Sendo que através da informação, sensibilização e educação é possível alertar e orientar os utilizadores/as da Internet, compete depois a cada um a criação dos seus próprios ambientes cibe seguros, quer estejamos a falar de um utilizador individual quer de uma empresa.

Assim sendo partilhamos aquelas que são consideradas os comportamentos cibe seguros que todos os utilizadores/as devem ter em consideração para um uso saudável das TIC:

  1. Ter consciência dos perigos Online, todos nós a partir do momento que navegamos online estão em risco de ser vítimas de um ciber ataque, estar consciente do risco é o primeiro passo para adoptar medidas de segurança online
  2. Manter o Software atualizado – Manter o software dos dispositivos atualizado é muito importante. Instale sempre as actualizações de segurança mais recentes nos seus dispositivos, de preferência ter ligada a opção de actualizações automáticas
  3. Evitar os esquemas de Phishing – São uma ameaça constante uma vez que novas esquemas estão constantemente a surgir. Qualquer email com aparência de fonte oficial que peça informação pessoal ou financeira é de suspeitar, devendo sempre contactar-se telefonicamente as entidades para perceber se de facto estão a enviar emails a solicitar essa informação antes de partilhar quaisquer dados.
  4. Faça uma gestão segura das suas passwords - Todos nós temos demasiadas passwords para gerir, é fácil sentirmo-nos tentados a usar a mesma password para diferentes aplicações, tal nunca deve ser feito! Existem programas que nos permitem gerir as nossas passwords – Estes programas para além de nos guardarem as passwords, podem criar passwords fortes e introduzi-las automaticamente.
  5. Cuidado com o que se clica – é sempre de evitar visitar websites desconhecidos ou fazer downloads de fontes não seguras. Estes websites costumam ser maliciosos e conter malware que se instala automaticamente e infetam o computador. Se os anexos ou Links são inesperados ou suspeitos não carregue nos mesmos.
  6. Nunca deixes os teus dispositivos sem vigilância – A segurança física dos teus dispositivos é tão importante como a segurança técnica. Se por alguma razão te tiveres de ausentar dos teus dispositivos desliga os mesmo e certifica-te que os mesmos ao ligar têm algum código de autenticação.
  7. Salvaguarda informação confidencial - Certifica-te que não tens informação de elevado grau de confidencialidade armazenada em nenhum dispositivo – por exemplo não guardes os dados do teu cartão de crédito no teu computador de trabalho. Se tens informação confidencial no teu computador ou dispositivo móvel certifica-te que a mesma está encriptada
  8. Usa os teus dispositivos móveis de uma forma segura – Para além de todas as dicas de segurança expostas certifica-te que fazes apenas download de aplicações de fontes seguras (Apple Appstore, Google Play). Tendo essa possibilidade ativa o desbloqueio dos teus dispositivos móveis através de dados biométricos – impressão digital, reconhecimento facial, para além do código de bloqueio.
  9. Instala software antivírus e anti-malware
  10. Realiza cópias de Segurança dos teus dados - Se fores vítima de um incidente de segurança muito provavelmente a única forma que tens de garantir que o mesmo é eliminado é através da formatação do dispositivo. Tendo uma cópia de segurança através de suporte externo (disco rígido, pen USB etc.) ou através de armazenamento Cloud permite repor toda a informação que tinhas antes do evento de segurança ter ocorrido.

Literacia
digital

Como referido aquando da abordagem dos fatores de risco, o conceito de literacia digital/tecnológica diz respeito à consciência, conhecimento e competências que permitem a uma determinada pessoa a utilização eficaz da Internet, das TIC e dos equipamentos e ferramentas associadas e a movimentação em ambientes digitais .

Constitui, por isso mesmo, um importante fator na determinação dos níveis de risco e de proteção face à cibervitimação. As competências e conhecimentos de utilização da Internet e das TIC parecem reduzir o risco de cibervitimação pelo facto de garantirem ao/à utilizador/a uma maior capacidade para identificar e atuar perante situações em que a sua segurança online possa estar em risco.

Assim, a uma elevada literacia digital está associado o aumento de comportamentos ciber-resilientes. A ciber-resiliência, por sua vez, é a capacidade de continuar a atividade online, pese embora a ocorrência de incidentes adversos, i.e. ataques cibernéticos. Uma pessoa ciber-resiliente consegue evitar e/ou recuperar de um ataque cibernético com a mínima ocorrência de danos possível.

Data Detox
Kit

Data Detox Kit, ou Data Detox x Youth, é um livro de atividades para ajudar os jovens a controlar a sua tecnologia. Este é um kit de ferramentas interativo que pretende incentivar os jovens a pensarem sobre diferentes aspetos das suas vidas digitais, desde os seus perfis nas redes sociais às passwords, com atividades simples para reflexão e diversão.

Este kit está dividido em quatro secções – Privacidade Digital, Segurança Digital, Bem-estar digital e Desinformação – e tem como principais destinatários jovens que já possuem os seus próprios dispositivos, mas pode ser utilizado por pessoas de todas as idades.

O Data Detox Kit, criado Pela Tactical Tech, foi traduzido para Português pela APAV e pode consultar/fazer o download aqui.

A tradução deste recurso esteve a cargo da APAV e integra o Projeto Internet Segura, cujas entidades parceiras são o Centro Nacional de Cibersegurança, a Direção Geral da Educação, Instituto Português do Desporto e da Juventude, Fundação para a Ciência e Tecnologia, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, Fundação Altice Portugal e Microsoft. O projeto é Co-Financiado pela União Europeia pelo Mecanismo Interligar a Europa.


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