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Ser Vítima

A violência contra as pessoas idosas pode ter várias formas e implicar a prática de vários crimes.

Como a Violência o/a Afeta

A violência contra as pessoas idosas pode ter várias formas e implicar a prática de vários crimes.

Ser vítima de um crime é um acontecimento negativo a que qualquer pessoa pode ser sujeita ao longo da sua vida. Assim, um crime pode afetar-nos de modo diferente e as pessoas não reagem todas da mesma forma numa situação de crime. A maioria das pessoas após serem vítimas de crime, podem sentir-se muito confusas e vulneráveis.

Reações como pânico geral, o pânico de morrer, a impressão de estar a viver um pesadelo, a desorientação geral, o sentimento de solidão e o estado de choque, são reações comuns e normais nas vítimas de crime. Assim, quanto mais violento o crime, maior será o estado de afetação geral da vítima. Existe, no entanto, um conjunto de consequências de caráter psicológico e físico que se manifestam após a vitimação.

Consequências Físicas

Os efeitos físicos incluem não apenas os resultados diretos das agressões sofridas pela vítima mas também respostas do nosso corpo ao stress a que foi sujeito.

As consequências físicas da vitimação podem ser:

  • Perda de energia;
  • Dores musculares;
  • Dores de cabeça;
  • Arrepios e/ou afrontamentos;
  • Problemas digestivos;
  • Tensão arterial alta.
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Consequências Psicológicas

A diversidade e intensidade dos efeitos psicológicos podem levar as pessoas a considerarem a possibilidade de estarem a ficar loucas ou a perder o seu equilíbrio psíquico.

Algumas consequências psicológicas poderão ser::

  • Dificuldades de concentração;
  • Dificuldades em dormir;
  • Pesadelos;
  • Dificuldades de memória;
  • Tristeza;
  • Desconfiança face aos outros;
  • Diminuição da autoconfiança.

Como planear a sua segurança

Para combater o crime todos temos de colaborar. A redução do risco e o medo do crime diz respeito a todos: à polícia, a cada um de nós. O que teremos de fazer é dificultar a vida aos criminosos. Aqui irá encontrar informação essencial para o ajudar a contribuir para este combate ao crime à medida que se protege a si próprio e aos seus bens.

Na maioria das situações, cada um de nós coloca-se nas circunstâncias que escolhe. Todos somos potenciais vítimas, ter noção disso é o primeiro passo para que cada um se torne menos vulnerável. O crime pode vitimar qualquer um em qualquer lado. A população Sénior é vista como alvo fácil para o crime.

As pessoas de mais idade não estão mais sujeitas ao crime do que qualquer outra pessoa. O seu sentimento de insegurança é que é mais elevado do que noutros grupos etários.

Certos crimes parecem especialmente direcionados para as pessoas idosas, nomeadamente burlas e roubo por esticão.

  • Fazer com que a pensão seja diretamente depositada na conta bancária;
  • As pensões, cheques e outros valores devem ser depositados de imediato;
  • Os pagamentos habituais devem ser efetuados em débito de conta;
  • Evitar trazer a bolsa ou a mala, usar antes uma carteira de bolso;
  • Manter e acrescentar a rede de amigos;
  • Convidar os amigos a visitá-lo/a com frequência;
  • Participar nas atividades da comunidade;
  • Sempre que possível, não divulgar os seus contactos pessoais;
  • Se usar telemóvel adicionar o seguinte contacto: ECE (Em caso de emergência) e atribua-lhe o número de telefone da pessoa que gostaria que fosse contactada em caso de incidente/acidente;
  • Não ter vergonha e conversar com alguém de confiança sobre o assunto;
  • Deve ter muito cuidado ao assinar papéis, ler primeiro e, em caso de dúvida, pedir aconselhamento a alguém de confiança;
  • Gritar por ajuda se for vítima de violência doméstica;
  • Pedir ajuda ao seu médico de família, à Polícia, ao Gabinete de Apoio à Vítima da APAV mais próximo, à Linha Nacional de Emergência Social (LNES-144), ao Magistrado do Ministério Público junto do tribunal, à Junta de Freguesia, aos cuidadores (por exemplo, apoio domiciliário);
  • Coloque uma corrente de segurança na sua porta;
  • Não abra a porta a pessoas desconhecidas;
  • Mantenha sempre um telefone perto de si;
  • Tenha sempre à mão o número de emergência;
  • Deixe as portas e janelas fechadas sempre que sair de casa.

As fraudes e burlas são um fator gerador de danos patrimoniais significativos. São práticas que vitimam especialmente os idosos como alvos mais vulneráveis. Os “burlões” estabelecem contacto com as vitimas ora batendo à porta ou telefonando. Abaixo encontram-se algumas recomendações de segurança para a prevenção de situações de vitimação por algum destes crime.

Recomendações pessoais:

  • Nunca entregar dinheiro a um desconhecido, seja qual for a vantagem ou ganho prometido;
  • Nunca entregar dinheiro a um desconhecido, seja qual for a vantagem ou ganho prometido;
  • Nunca ter pressa para fazer qualquer coisa que envolva dinheiro ou património;
  • Informe-se junto da Polícia sobre as fraudes que vão ocorrendo e sobre como evitar tornar-se vítima;
  • Em nenhuma situação deve dar informações de natureza pessoal, bancária, sobre cartões de crédito ou finanças pessoais e sob nenhum pretexto;
  • Recolha sempre informação junto de familiares e amigos de confiança, de associações de defesa ao consumidor ou da Polícia, antes de entrar em qualquer negócio deste tipo;
  • Nunca concretize negócios pelo telefone, a menos que tenha sido por sua iniciativa.

A pessoa idosa pode ser vitimada quando está na rua, tornando-se, não só, um alvo fácil para possíveis agressores, mas também aqueles que agem contra si com preconceito em função da sua idade.

Recomendações pessoais:

  • Não transportar grandes quantias em dinheiro ou jóias, mesmo que na verdade não o sejam;
  • Ande em ruas bem iluminadas e movimentadas;
  • Mantenha uma distância de segurança em relação a desconhecidos;
  • Não aceite boleias de estranhos ou de pessoas que não conhece bem;
  • Tenha a chave da porta pronta, na mão, logo que chegue a casa;
  • Se tiver que gritar, não use “socorro” porque faz as pessoas ao redor recuarem pois fica claro que há perigo. Grite o nome de alguém como “Manuel”, o criminoso pensará que está acompanhado/a;
  • Caso necessite de transportar elevadas quantias em dinheiro distribua as notas por bolsos diversos;
  • Antes de sair de casa, interrogue-se se necessita de levar a mala;
  • Certifique-se que a mala está fechada e não mexa no seu interior em espaços públicos;
  • Se vier a ser vítima de roubo, diminua os riscos de ferimentos ou lesões: coopere com o ladrão o melhor que puder e dê-lhe o dinheiro. Na maioria dos casos, é isso que ele quer.

Recomendações pessoais:

  • Use as paragens de autocarro iluminadas e evite as mais isoladas;
  • Assegure-se do sítio para onde vai, do sítio onde deve mudar de transporte e como vai para casa;
  • Fique num lugar próximo do motorista;
  • Ande com pouco dinheiro e guarde-o repartido por locais;
  • Coloque a carteira em bolsos interiores fechados da mala ou da roupa.

Uma pessoa idosa que reside sozinha, pode ser mais facilmente vitimadas, quer seja por familiares que a visitem, quer seja por estranhos (burlões).

Recomendações pessoais:

  • Manter as portas fechadas em todas as circunstâncias;
  • Verificar sempre quem está à porta antes de abrir;
  • Não facultar, em caso algum, informação de natureza pessoal a estranhos;
  • Não se é forçado a participar em sondagens ou inquéritos;
  • Chamar as autoridades se um estranho se recusar a abandonar a sua porta.

Para cuidadores/as

As/Os prestadoras/es de cuidados estão, por força da sua atividade, na primeira linha de deteção das situações de violência contra pessoas idosas.

A violência contra as pessoas idosas pode manifestar-se de diversas formas:

  • Física;
  • Económica;
  • Psicológica;
  • Negligência;
  • Sexual;
  • Abandono.

Todas/os as/os prestadoras/es de cuidados têm o dever de estarem atentos a estas situações.

As/Os prestadoras/es de cuidados têm a obrigação de apoiar e encaminhar devidamente as pessoas idosas vítimas de violência, sempre que tenham conhecimento destes casos.

A existência de violência contra as pessoas idosas pode ser detetada através do discurso espontâneo da própria pessoa idosa. No entanto, em grande parte das situações deve a/o prestador/a de cuidados procurar sistemáticamente sinais de violência através de:

  • Recolha da história junto da pessoa idosa e acompanhantes;
  • Observação direta da pessoa idosa;
  • Interpretação dos outros sinais de alerta.

Na recolha de história, a/o prestador/a de cuidados deve ter o cuidado de respeitar a privacidade da pessoa idosa, sem prejuízo de fazer uma investigação tão completa quanto possível.

Sempre que a/o prestador/a considere que os factos ultrapassam as suas competências deve pedir apoio a outras/os prestadores/as de cuidados.

Para familiares e pessoas amigas

A ajuda inicial de um/a amigo/a ou de um familiar pode ser crucial para que a pessoa idosa fale e peça ajuda para tentar sair da situação de violência em que vive e com que tem de lidar sozinha. O silêncio facilita a existência e a continuação da violência. O papel do/a amigo/a ou do familiar pode ser o início do fim da violência.

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Se desconfiar que algo de errado se passa com aquela pessoa idosa:

  • Tente aproximar-se dela e converse com cuidado. Diga-lhe sempre que acredita nela. Diga-lhe que pode confiar em si.
  • Se existir confidência de violência, diga-lhe que a culpa não é dela. Diga-lhe que vai fazer tudo para a apoiar. Faça realmente tudo o que puder para a apoiar.
  • Comunique a situação às autoridades policiais ou aos serviços do Ministério Público junto de um Tribunal.
  • Comunique também aos serviços de Saúde e aos da Segurança Social;
  • Ajude a pessoa idosa a contactar a APAV para iniciar um processo de apoio jurídico, psicológico e social.
  • Seja muito discreto/a e aja sempre com prudência.
  • Não exponha a vida da pessoa à curiosidade alheia.
  • Demonstre sempre a máxima serenidade e atenção.
  • Respeite a sua liberdade e as suas decisões, reforçando a confiança na capacidade de gerir a sua própria vida.

Qualquer pessoa, desde que tenha conhecimento de uma situação de violência ou de crime perante uma pessoa idosa, pode denunciar junto das entidades competentes.

Se tem conhecimento de que uma pessoa idosa amiga ou até mesmo um familiar está a ser vítima de violência e de crime ajude-o/a a procurar apoio, através da Rede Nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima da APAV ou apav.sede@apav.ptNão deverá, no entanto:

  • Dizer à pessoa idosa o que fazer: nunca se esqueça que a decisão é sempre da vítima;
  • Dizer-lhe que ficará desapontada se não fizer o que lhe disse para fazer;
  • Fazer comentários que possa culpabilizar a pessoa idosa por ser vítima;
  • Confrontar o alegado agressor porque pode ser perigoso para si e também para a pessoa idosa.

Ajudar como amigo/a ou familiar uma pessoa idosa vítima de violência não significa ter de resolver pelos próprios meios a situação ou salvar a vítima.