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Estatísticas APAV | Violência no Namoro | 2022-2025

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima divulga as Estatísticas APAV | Violência no Namoro | 2022-2025, no âmbito do Dia dos Namorados, assinalado a 14 de fevereiro.

Entre 2022 e 2025, a APAV apoiou 1 343 vítimas de violência no namoro em contexto de relação atual, registando-se um aumento de 36,5% ao longo do período. No mesmo intervalo, foram apoiadas 2 625 vítimas de violência no pós-rutura da relação, o que representa um crescimento ainda mais expressivo, de 56,8%, evidenciando que a violência não termina necessariamente com o fim da relação.

A maioria das vítimas apoiadas encontra-se em relacionamentos heterossexuais (93,4% na relação atual e 93% no pós-rutura) e é do sexo feminino, representando 88,6% das vítimas na relação atual e 87,9% no pós-rutura.

No que diz respeito à idade, a violência no namoro afeta sobretudo pessoas jovens adultas. Na violência em contexto de relação atual, 48% das vítimas têm entre os 18 e os 34 anos, com destaque para a faixa dos 25 aos 34 anos, que representa 24,2%, seguida do grupo dos 18 aos 24 anos (23,8%). As vítimas até aos 17 anos correspondem a 8,8% dos casos.

Nos casos de violência no pós-rutura da relação, a concentração em idades jovens é ainda mais evidente, com cerca de 48% das vítimas entre os 18 e os 34 anos, destacando-se novamente o grupo dos 25 aos 34 anos (26,1%), seguido da faixa dos 18 aos 24 anos (21,9%). As vítimas até aos 17 anos representam 5,6% do total.

Relativamente à nacionalidade, a maioria das vítimas apoiadas é de nacionalidade portuguesa (68,4% na relação atual e 74,8% no pós-rutura), registando-se igualmente uma percentagem relevante de vítimas estrangeiras, o que reforça a necessidade de respostas acessíveis e inclusivas.

No que se refere à formalização de queixa ou denúncia, verifica-se que 47,3% das vítimas de violência na relação atual apresentaram queixa, percentagem que sobe para 59,3% nos casos de violência no pós-rutura. Ainda assim, uma parte significativa das vítimas opta por não denunciar, evidenciando a persistência de barreiras no acesso à justiça e na perceção de segurança.

A distribuição geográfica das vítimas acompanha a densidade populacional, com maior incidência nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal, embora a violência no namoro esteja presente em todo o território nacional.

A violência no namoro pode ocorrer de diversas formas — incluindo controlo, violência psicológica, perseguição e violência sexual. O controlo tem sido identificado como o tipo de violência mais normalizado e frequentemente interpretado como demonstração de amor e confiança. É importante que todos saibam identificar os sinais de alerta que indicam comportamentos controladores numa relação: estes comportamentos não são expressões de amor, são sinais de violência.

Para a APAV, estes dados reforçam a importância de continuar a investir na prevenção da violência no namoro, na educação para relações saudáveis e na sensibilização para os sinais de abuso, sublinhando que o amor nunca pode ser sinónimo de controlo, medo ou violência.

A APAV presta apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006 (gratuita, dias úteis das 8h às 23h), do Chatbot APAV, serviço disponível online 24 horas por dia, 7 dias por semana e da sua rede nacional de gabinetes e estruturas de proximidade.

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