A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) divulga as Estatísticas APAV | Filhas/os que agridem mães ou pais | 2021-2025, um retrato da violência exercida por filhas e filhos contra as suas mães ou pais, com base nos processos de apoio acompanhados pela APAV ao longo dos últimos cinco anos.
Entre 2021 e 2025, a APAV apoiou 4.804 mães e pais vítimas de violência por parte de filhas/os, registando-se um aumento de 39,6% ao longo do período em análise. Os dados revelam uma tendência de crescimento consistente deste fenómeno, frequentemente marcado por dinâmicas de violência continuada no contexto familiar.
Do total de vítimas apoiadas, 96,8% foram agredidas/os por um/a filho/a e 3,2% por dois/duas ou mais filhas/os. No mesmo período, chegaram ao conhecimento da APAV 9.609 crimes e formas de violência, destacando-se a violência doméstica como a tipologia predominante (83,1%), seguindo-se outros crimes e formas de violência (14%) e crimes contra o património (2,9%).
A maioria das vítimas apoiadas é do sexo feminino (79,4%), sendo os homens 19,6% das vítimas. Em termos etários, destaca-se o grupo das pessoas com 65 ou mais anos, que representa 59,6% das vítimas apoiadas pela APAV neste contexto. Seguem-se as pessoas entre os 55 e os 64 anos (16,3%) e as vítimas até aos 54 anos (15,4%).
Relativamente às/aos filhas/os agressoras/es, a maioria é do sexo masculino (69,5%). A faixa etária mais representativa situa-se entre os 25 e os 54 anos (45,5%), seguindo-se as pessoas até aos 24 anos (13,9%).
Os dados revelam ainda que mais de metade das vítimas sofreu vitimação continuada (55,7%). Em 33,5% das situações, decorreram entre dois e sete anos até ao primeiro pedido de apoio à APAV, evidenciando a persistência e complexidade deste tipo de violência no contexto familiar. Verifica-se também que 47,7% das vítimas não apresentou queixa ou denúncia às autoridades.
Em termos territoriais, a maioria das vítimas apoiadas residia nos distritos de Lisboa, Porto, Faro, Braga e Setúbal, refletindo a distribuição dos pedidos de apoio acompanhados pela APAV.
A violência exercida contra mães e pais por parte de filhas/os continua a ser uma realidade pouco visível e frequentemente silenciada, marcada por sentimentos de culpa, vergonha, medo e isolamento. Os dados agora divulgados reforçam a necessidade de reconhecer este fenómeno, promover a sua prevenção e assegurar respostas de apoio especializadas às vítimas.
A APAV presta apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006 (gratuita, dias úteis das 8h às 23h), do Chatbot APAV, disponível online 24 horas por dia, 7 dias por semana, e da sua rede nacional de gabinetes e estruturas de proximidade.
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